quarta-feira, 30 de outubro de 2013

POEMA PEDAGÓGICO - ANTON MAKARENKO




SINOPSE OFICIAL (site: http://editora34.com.br):
Redigido entre 1925 e 1935 sob o incentivo constante do escritor Maxím Gorki, Poema pedagógico é uma obra única que, por um lado, se lê como um romance da mais alta qualidade literária; por outro, traz o relato de uma das experiências mais singulares, radicais e bem-sucedidas da história da educação — a Colônia Gorki, na União Soviética, que, de 1920 a 1928, transformou centenas de menores abandonados e jovens infratores, muitos com várias passagens pela polícia, em ativos cidadãos.
     Com matéria extraída da vida real e personagens de carne e osso que marcam fundo a imaginação do leitor, Anton Semiónovitch Makarenko (1888-1939) narra com impressionante franqueza o dia a dia da colônia — os altos e baixos, os dilemas, o aprendizado na base da tentativa e erro, as duras conquistas —, num processo em que a experiência conduzida por ele e seus educandos, baseada no conceito de um coletivo autogerido, se vê constantemente ameaçada pelos entraves da burocracia e pelas autoridades pedagógicas da época.
Construído numa linguagem fluente e direta, de grande riqueza de registros — reproduzida com toda força e criatividade na tradução de Tatiana Belinky —, este livro, atualíssimo na forma e nos problemas que aborda, não só firmou o nome de Makarenko como um dos grandes educadores do século XX, como realizou uma proeza rara: ser, ao mesmo tempo, clássico e revolucionário.






O Poema Pedagógico é um relato da vasta experiência do pedagogo ucraniano Anton Semionovich Makarenko (1888 – 1939) durante o período em que ele dirigiu a instituição que ficou conhecida como Colônia Gorki e que era responsável pela reintegração social de jovens soviéticos “transviados”. 
O livro de Anton Makarenko é uma espécie de romance, com direito a belas descrições e produndas caracterizações das personagens; todavia, o que torna esse livro realmente interessante são as diversas passagens reais em que ocorrem aprendizados importantes de Makarenko e de seus “gorkianos” sobre o valor do trabalho em função de um coletivo autogerido.
Desde o início do trabalho de Anton Makarenko na Colônia Gorki, estabeleceu-se uma cultura voltada para o trabalho gerida pelos próprios colonistas, que trabalhavam algumas vezes em três turnos para darem conta das tarefas de cada um dos “destacamentos” da colônia. Essa cultura, composta de muitos valores e rituais compartilhados entre os membros da colônia, rendeu muitas críticas ao modelo pedagógico criado por Anton Makarenko, que além de enfrentar cotidianamente inúmeros entraves burocráticos, foi perseguido implacavelmente por seus pares que consideravam-no muito autoritário e antipedagógico – não necessariamente nesta ordem.
Na Colônia Gorki, os gorkianos trabalhavam para manterem o “Coletivo” funcionando e, embora respeitassem e tivessem muito afeto por Anton Makarenko, seus interesses estavam relacionados ao próprio trabalho como maneira de encontrar uma libertação de seu passado e presente desgraçados e reiniciarem suas vidas produtivas na nova e revolucionária sociedade soviética recém-estabelecida. Para Anton Makarenko, pouco importava o que havia no passado de cada colonista, desde que este estivesse disposto a se adaptar à cultura da Colônia Gorki voltada ao trabalho como meio de realização dos sonhos coletivos.

Os acontecimentos narrados no livro se passam na Ucrânia entre 1920 e 1928 e é impossível pensar na proposta pedagógica de Anton Makarenko sem contextualizá-la aos acontecimentos políticos e culturais que se desenrolavam na recém-estabelecida União Soviética. Neste sentido, não é possível fazer um recorte da proposta de Makarenko e replicá-la em outros períodos e países por sua própria natureza e estrutura. Entretanto, isso não desvaloriza as numerosas pérolas espalhadas ao longo deste livro, relacionadas à estúpida e pretensiosa sabedoria acadêmica, aos problemas do comunismo posto em prática, às fantásticas criações e desenvolvimento de seres humanos, etc.


Em suma, gostei muito deste livro. A edição da Editora 34 tem 656 páginas com tradução de Tatiana Belinsky e pósfácio de Zóia Prestes. Recomendo a leitura do Poema Pedagógico à pedagogos e demais pessoas interessadas em educação e cultura soviética de um modo geral.
  


TRECHO:
“Claro que se travava de menores abandonados e transviados autênticos, mas não eram, por assim dizer, do tipo clássico. Por alguma razão desconhecida, na nossa literatura e na nossa intelligentsia, formou-se sobre o menor abandonado a imagem de uma espécie de herói byroniano. O transviado é antes de tudo como que um filósofo, e, além disso, muito espirituoso, anarquista e demolidor, vagabundo debochado e inimigo de absolutamente todos os sistemas éticos. Os lacrimosos e assustados ativistas pedagógicos acrescentaram a essa imagem todo um sortimento de plumagens mais ou menos frondosas, arrancadas dos rabos da sociologia, da reflexologia e de outros dos nossos parentes ricos. Eles acreditavam piamente que os menores abandonados são organizados, que possuem líderes e disciplina, toda uma estratégia de ação criminosa e regras de comportamento interno. E nem mesmo lhes pouparam termos científicos especializados: ‘coletivo autogerado’, e etc.” 


Publicado em http://notasqualquercoisa.blogspot.com.br/2012/09/poema-pedagogico-anton-makarenko.html

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Democracia Racial...

Democracia Racial - Por Rainer Sousa

 
democracia racial

No Brasil, a história de seus conflitos e problemas envolveu bem mais do que a formação de classes sociais distintas por sua condição material. Nas origens da sociedade colonial, o nosso país ficou marcado pela questão do racismo e, especificamente, pela exclusão dos negros. Mais que uma simples herança de nosso passado, essa problemática racial toca o nosso dia a dia de diferentes formas.
Em nossa cultura poderíamos enumerar o vasto número de piadas e termos que mostram como a distinção racial é algo corrente em nosso cotidiano. Quando alguém autodefine que sua pele é negra, muitos se sentem deslocados. Parece ter sido dito algum tipo de termo extremista. Talvez chegamos a pensar que alguém só é negro quando tem pele "muito escura". Com certeza, esse tipo de estranhamento e pensamento não é misteriosamente inexplicável. O desconforto, na verdade, denuncia nossa indefinição mediante a ideia da diversidade racial.
É bem verdade que o conceito de raça em si é inconsistente, já que do ponto de vista científico nenhum indivíduo da mesma espécie possui características biológicas (ou psicológicas) singulares. Porém, o saber racional nem sempre controla nossos valores e práticas culturais. A fenotipia do indivíduo acaba formando uma série de distinções que surgem no movimento de experiências históricas que se configuraram ao longo dos anos. Seja no Brasil ou em qualquer sociedade, os valores da nossa cultura não reproduzem integralmente as ideias da nossa ciência.
Dessa maneira, é no passado onde podemos levantar as questões sobre como o brasileiro lida com a questão racial. A escravidão africana instituída em solo brasileiro, mesmo sendo justificada por preceitos de ordem religiosa, perpetuou uma ideia corrente onde as tarefas braçais e subalternas são de responsabilidade dos negros. O branco, europeu e civilizado, tinha como papel, no ambiente colonial, liderar e conduzir as ações a serem desenvolvidas. Em outras palavras, uns (brancos) nasceram para o mando, e outros (negros) para a obediência.
No entanto, também devemos levar em consideração que o nosso racismo veio acompanhado de seu contraditório: a miscigenação. Colocada por uns como uma estratégia de ocupação, a miscigenação questiona se realmente somos ou não pertencentes a uma cultura racista. Para outros, o mestiço definitivamente comprova que o enlace sexual entre os diferentes atesta que nosso país não é racista. Surge então o mito da chamada democracia racial.
Sistematizado na obra "Casa Grande & Senzala", de Gilberto Freyre, o conceito de democracia racial coloca a escravidão para fora da simples ótica da dominação. A condição do escravo, nessa obra, é historicamente articulada com relatos e dados onde os escravos vivem situações diferentes do trabalho compulsório nas casas e lavouras. De fato, muitos escravos viveram situações em que desfrutavam de certo conforto material ou ocupavam posições de confiança e prestígio na hierarquia da sociedade colonial. Os próprios documentos utilizados na obra de Freyre apontam essa tendência.
Porém, a miscigenação não exclui os preconceitos. Nossa última constituição coloca a discriminação racial como um crime inafiançável. Entre nossas discussões proferimos, ao mesmo tempo, horror ao racismo e admitimos publicamente que o Brasil é um país racista. Tal contradição indica que nosso racismo é velado e, nem por isso, pulsante. Queremos ter um discurso sobre o negro, mas não vemos a urgência de algum tipo de mobilização a favor da resolução desse problema.
Ultimamente, os sistemas de cotas e a criação de um ministério voltado para essa única questão demonstram o tamanho do nosso problema. Ainda aceitamos distinguir o negro do moreno, em uma aquarela de tons onde o último ocupa uma situação melhor que a do primeiro. Desta maneira, criamos a estranha situação onde "todos os outros podem ser racistas, menos eu... é claro!". Isso nos indica que o alcance da democracia é um assunto tão difícil e complexo como a nossa relação com o negro no Brasil.
Por Rainer Sousa
Mestre em História

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Por que ler e oferecer histórias que falem das culturas africanas e com protagonistas negros?

Por que ler e oferecer histórias que falem das culturas africanas e com protagonistas negros?

 

Será que para uma criança faz alguma diferença o contato com livros que contem histórias das culturas africanas e ou que possuam personagens negros com imagens positivas? Será que tais livros podem influenciar na sua maneira de ser e de se ver como negro?
 
A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) alterada pela lei 10.639/2003 legitima o direito de conhecer a história do negro para além da escravidão e aponta a literatura como um dos caminhos para que se trabalhe o tema.


Minha pesquisa de mestrado e a experiência com turmas em escolas têm mostrado que faz muita diferença para a criança negra ou não negra ter contato com histórias nas quais os negros não sejam retratados como infelizes, sofredores, pobres coitados vítimas de maus tratos.
O contato com histórias nas quais o negro tenha vida, sejam seres históricos sociais têm apontado resultados positivos na (re)contrução da autoestima de crianças negras e na maneira como as crianças não negras se relacionam com as crianças negras.
 
É importante ressaltar que tais histórias não devem aparecer na sala de aula apenas em maio, quando se fala da abolição da escravatura e/ou em novembro quando se fala da Consciência Negra. Estas histórias precisam estar presentes todos os dias como qualquer outra história. Não se trata de substituir uma por outra, mas sim de incluir.
 
Muitos livros que contam histórias de culturas africanas e ou com protagonistas negros(as) estão sendo publicadas, mas ainda não são muito fáceis de serem encontradas.
 
Neste espaço, quero poder compartilhar alguns livros que já tive a oportunidade de ler para turmas em escolas e ou disponibilizar para que as crianças lessem. Objetivo também trazer algumas considerações sobre várias publicações.
 
http://literaturainfantilafrobrasil.blogspot.com.br/search?updated-max=2010-01-14T22:17:00-02:00&max-results=50

Compartilhando - Livros infanto-juvenis de temática afro-brasileira - parte V!

Cadê você, Jamela?

Escrita e ilustrada por Niki Daly - SM Edições
Como reagimos às mudanças? Algumas pessoas são muitos resistentes, pois o que é novo pode despertar alguns sentimentos como medo, ansiedade, etc.
Desta vez, Jamela fica sabendo que sua mãe conseguiu um novo emprego e que isto resultará em uma mudança de casa. A ideia de ter que ir para uma nova casa não a agrada.
Agora imagine a confisão quando depois do caminhão carregado, pronto para a partida, a mãe  de Jamela procura por ela e não a encontra.  Toda a comunidade começa a procurar por Jamela.
A vida em comunidade, a solidariedade, a empatia são sentimentos que perpassam esta história.
O texto traz também a importância da música e da dança como forma de expressão de sentimentos para muitos povos africanos.


O que tem na panela, Jamela?

Escrita e ilustrada por Niki Daly  - Edições SM
"O que tem na panela, Jamela?" é o primeiro livro de uma série. Jamela, a protagonista, é uma menina esperta, inteligente que procura soluções para as diversas situações que vive. Neste texto, Jamela se encarrega de cuidar de uma galinha que sua mãe comprou para fazer no Natal. Mas a menina não só cuida como cria um certo laço afetivo com a ave, tornando-a seu bicho de estimação. A galinha, bem cuidada, fica no ponto para ser consumida no Natal. E aí? Como fazer para que seu bichinho não vá para a panela? Jamela busca uma solução.
O livro traz, ao final, um vocabulário com palavras de outras línguas que aparecem no texto.
Pelas ilustrações é possível perceber o cuidado com as roupas, com os cabelos, com a casa, com as pessoas.
Em algumas páginas, as ilustrações se assemelham a uma fotografia, não só pela suavidade dos traços como também pelos detalhes com que retratam o cotidiano.
As histórias desta série se passam na África do Sul, país sede da Copa do Mundo 2010, sendo assim, fica aí uma sugestão de leitura para contribuir com os projetos.


As tranças de Bintou

Escrita por Sylviane A. Diouf e ilustrado por Shane W. Evans - Ed. Cosac & Naify
Bintou é uma menina que sonha em ter tranças no cabelo. No entanto, a tradição de sua aldeia não permite que crinças usem cabelos trançados. O livro evidencia aspectos como respeito à sabedoria dos mais velhos e respeito às tradições. Mesmo após um ato heróico pelo qual a mãe disse que a menina receberia como prêmio a realização de um desejo, sua avó não fez as tão sonhadas tranças. No entanto, a menina que inicia a história dizendo que seu cabelo é "bobo e sem graça" termina gostando dele. Sua avó, com sua sabedoria é quem contribui para a mudança da menina na forma de se ver.
O tema cabelo é delicado principalmente para as meninas negras, mas o livro trata o assunto de forma a valorizar a estética negra.
Roupas coloridas, adornos, diferentes trançados de cabelos fazem parte da rica das ilustração dese livro.

 

Chuva de manga

Escrito e ilustrado por James Rumford. Ed. Brinque-Book.
A história se passa no Chade, país de grande extensão, mas não muito populoso. O título do livro indica um acontecimento que ocorre no país. A chamada "chuva de manga" é a chuva que cai no início do ano e favorece o florecer das mangueiras que, alguns meses depois, estão carregadas de mangas maduras.
As ilustrações e o texto contribuem para que se conheça um pouco sobre o cotidiano em uma aldeia no Chade: diferenças étnicas que podem ser observadas através de diferentes roupas usadas,  o hábito de transportar objetos na cabeça e brinquedo mais comum que é  construído através do reaproveitamento: carrinhos e caminhões feitos de latas, tampinhas de refrigerante, etc..,
O livro traz dois acontecimentos paralelos: Da "chuva de manga" até a colheita da fruta e da coleta de sucata à confecção do carrinho de Thomás.
Destaco que o menino Thomás estuda e podemos ver crianças com cadernos nas mãos e o pai de Thomás lendo jornal. A importância disto está na contribuição para desconstruir a imagem errônea de que em África não se lê, não se estuda. Dia desses ouvi de um aluno de 10 anos: "Professora, lá na África só tem analfabeto. Ninguém lá sabe ler."
Uma dica: o prefácio deste livro traz informações que enriquecem a leitura e ainda um mapa que localiza o Chade no continente africano.


O comedor de nuvens

Escrito por Heloísa Pires Lima e ilustrado por Suppa - Ed. Paulinas
É a história de um povo que vive no reino Achanti e que alimentam-se de nuvens coloridas. Todas estão sempre ao alcance. Havia nuvens para todos os gostos e momentos. Mas também havia um glutão que modificou o sabor das nuvens e com isso toda a vida do reino. O céu se elevou ao máximo para proteger as nuvens e com isso o povo agora só aprecia as nuvens de longe, sem poder alcançá-las.
A ideia do uso indevido dos recursos naturais está presente no livro que possibilita uma reflexão sobre a possibilidade de perdermos elementos da natureza que nos são tão caros e que ainda estão ao nosso alcance.
Quanta coisa para pensar... Se quiser pensar. Quanta coisa para discutir... se assim quiser.
A história possibilita reflexão, mas trata tudo com muita delicadeza, sutileza e imaginação.
As ilustrções feitas em giz de cera retratam o colorido das roupas africanas com desenhos de elementos da natureza e figuras geométricas. Traçados fortes e cores quentes.


Que mundo Maravilhoso!

Escrito por Julius Lester e ilustrado por Joe Cepeda. Ed. Brinque-Book.

Professoa, Deus é preto?
Quantas vezes leio esta história para as crianças correspondem ao número de vezes que ouço esta pergunta ao final.
O livro conta uma versão sobre o que aconteceu logo após a criação do mundo. Deus, após contemplar sua obra, recebe críticas de Flora, um anjo encarregado de tudo.
As ideias para a melhoria do mundo vão surgindo a partir das críticas e das ajudas que Deus vai recebendo.
Neste livro, Deus é negro, casado,  e ouve opinião para criação do mundo e o que mais chama a atenção das crianças se refere ao fato de ele ser negro.
Este livro, independente de crença ou religião, além de provocar uma discussão sobre Deus poder ou não ser negro, possibilita uma desconstrução no modo de imaginar a personificação de Deus. Que outras possibilidades? De que outras maneiras ele poderia ser?
Certa vez, ouvi de uma criança negra de uns 9 anos: "Deus não merece ser preto". Discutimos sobre o assunto, mas tal frase me fez ter a certeza da importância de contar muitas e muitas histórias com personagens negros e de que ainda temos muito para desconstruir e reconstruir.


O Rei Preto de Ouro Preto

Texto: Sylvia Orthof. Ilustrações Rogério Borges - Ed. Global
De forma poética a autora conta sua versão para a história do líder Chico Rei. Um passeio pela História que começa em África e vem para o Brasil  através dos versos e das imagens. O livro fala de luta, de liberdade, resistência.
Um aluno sempre que o livro estava para empréstimo na sala costumava pegar este livro. Um dia quis saber o motivo de ele sempre querer ler e reler este livro. Ele me disse: "Ele é negro e um pouco mineiro como eu."






O cabelo de Lelê

Lelê é uma menina negra que inicialmente, não gosta de seus cabelos cheios de cachinhos, mas ao ler no livro sobre o continente africano descobre através da leitura sobre sua ascendência. E não tem como... Passa a gostar mais de si mesma e principalmente de seus cachinhos.
A questão abordada no livro vai ao encontro do que objetiva a lei 10.639/03, pois conhecer a história do negro e da África contribui para elevar a autoestima e também para maior compreensão sobre as diferenças étnicas sem preconceitos, sem racismos.
O texto é de Valéria Belém e as ilustrações são de Adriana Mendonça.  Companhia Editora Nacional


Aída

"Pricesa preta? Eu nunca vi!"
Foi o que ouvi de uma aluna negra de 9 anos quando iniciei a leitura deste livro para uma turma. Como a história não é curta, fiz a leitura em capítulos. Cada dia, lia uma parte. Quando finalizei coloquei o livro na estante junto com os demais que estavam disponibilizados para leitura. A aluna correu, pegou o livro e disse: "Caraca! É princesa mesmo!"
Vi que mesmo eu lendo o livro foi difícil para ela acreditar se tratar de uma princesa preta. Afinal, como são representadas as princesas em boa parte dos livros e filmes?


Baseado na ópera Aída de Giuseppe Verdi este livro é um reconto de Leontyne Price  ilustrado por Leo e Diane Dillon.
O livro conta a história de uma princesa egípcia dividida entre o amor ao seu pai e seu povo e uma paixão por um guerreiro do exército egípicio, inimigo de seu povo.
A beleza das roupas e adornos estão presentes nas ilustrações que têm cores quentes e traços delicados.
Todas as páginas possuem na borda desenho de flores na cor do ouro lembrando objetos da realeza.
Ed. Ática


Bruna e a galinha d'angola

O texto é de Gercilga de Almeida e as ilustrações de Valéria Saraiva. Ed. Pallas
A galinha d'angola é uma ave originária do continente africano. É um símbolo.
Neste texto, dentro da história de uma menina, neta de africana, que conquista amizades depois que ganha um galinha d'angola,  a autora também conta uma história da criação do mundo.
O texto mostra o quanto que se carrega de histórias na memória e o quanto que objetos significativos podem ser fundamentais para o ato de rememorar.
Histórias contagiam e podem trazer transformações. É o que vemos também nesta obra e, muitas vezes, na vida. 


Para os que apreciam atividades de Artes em conjunto com histórias, este livro sugere a arte de modelar o barro e a pintura de tecidos. E por que não colocar em prática?

Fonte da imagem: http://www.pallaseditora.com.br/ 


Falando Banto

Eneida D. Gaspar escreveu e Victor Tavares ilustrou. Ed. Pallas
O texto verbal é formado por palavras de origem africana que fazem parte do vocabulário brasileiro. São tantas palavras... Umas mais faladas em determinadas regiões do país do que outras, mas muitas, muitas muito conhecidas. São palavras que falamos na escola, na rua, na vida. E quanta vida encontramos nas palavras!
A cada página virada, um poema com um diferente tema.
As ilustrações retratam o movimento da língua, muito presente neste texto, como também movimento que é  tão característico nas culturas africanas.


Fonte imagem: http://www.pallaseditora.com.br/


As panquecas de Mama Panya

Escrito por Mary e Rich Chamberlin e ilustrado por Julia Cairna - Editora SM.
A história que se passa no Quênia fala sobre colaboração, solidariedade e amizade.
Ao sair com a mãe para comprar ingredientes para fazer panquecas (vikaimati), o menino convida amigos vai encontrando pelo caminho. A mãe fica preocupada, pois não tem como fazer panquecas suficientes para todos, já que possui apenas algumas moedas. Mas, para surpresa dela, é a ideia de colaboração que prevalece e possibilita um almoço mais do que suficiente para todos.
O livro traz um mapa situando o Quênia e mostra algumas de suas principais características. Mostra também como é um dia-a-dia no Quênia, alguns animais e plantas e umas palavras em kiswahili, uma das línguas locais. Ao final, uma receita de panqueca.
O livro é, portanto, rico em diferentes aspectos. Além da narrativa que costuma encantar e envolver crianças e adultos, seus complemnetos nos permitem ao leitor, situar-se um pouco mais.
fonte imagem: http://www.edicoessm.com.br/ver_noticia.aspx?id=7923
 
  
Ana e Ana
Célia Godoy escreveu e Fê ilustrou a história de duas iramãs gêmeas. O livro aborda sobre a igualdade e a diferença entre as duas e destaca o quanto para as pessoas que as rodeiam elas são  como uma unidade. A autora procura mostrar a singularidade de cada uma da infância à vida adulta.
As meninas são cuidadas pela avó, pois a mãe trabalha fora, o que nos sugere um tipo de formação de família muito comum nos dias de hoje.
Através do texto não verbal é possível perceber que as meninas têm amigos com diferentes características físicas e que a vida delas pode ser considerada confortável.
As irmãs brincam, estudam, crescem e se tornam profissionais das áreas que sempre gostaram.

Obs.: Entre os iorubás, a mãe que tem gêmeos é considerada uma privilegiada pelas divindades. O nascimento de gêmeos é comemorado positivamente. É um grande acontecimento.

Nas religiões de matrizes africanas, conta-se que os primeiros gêmeos foram os Ibejis, filhos de Oxum e Xangô e que deveria ser um sinal, um motivo de culto e veneração. Os gêmeos foram tratatados como deuses infantis.
Ed. DCL
 
 

O baú das histórias

Texto (reconto) e ilustração: Gail E. Haley - Ed. Global

As histórias alimentam nossas almas, nossos sonhos...
De onde vieram tantas histórias que ouvimos, lemos, contamos e recontamos e reinventamos?
Um dos contos do continente africano que procura explicar a origem das histórias é o Baú das Histórias.


Esta é mais uma das histórias de Ananse (Anancy ou Tia Nancy) que procuram contar como é que homens ou animais frágeis ou pequenos, por meio da inteligência, superam as dificuldades e vencem grandes obstáculos.

Nesta história, Anase é um homem-aranha que tece uma teia, sobe aos céus e, de volta à Terra, vence os três desafios que lhe são impostos para conseguir o Baú das Histórias que até então pertencia a Nyame, o Deus do céu.

Apesar de toda a sua fragilidade, Ananse se torna um vitorioso e ao abrir o baú na sua aldeia, as histórias se espalham pelo mundo.

As ilustrações em xilogravura trazem o colorido tão característico em culturas africanas.
 

Irmãos Zulus

O livro inicia com um provérbio Zulu: "A terra, como a chuva, não pertence a ninguém. Deve ser dividida por todos." Penso que assim também são as histórias. Devem ser divididas, compartilhadas...

O livro de autoria de Rogério Andrade Barbosa e ilustrado por Ciça Fittipadi traz a história de três irmãos. Os dois mais velhos saem de casa em busca de fortuna. O mais novo respeita os seres da natureza considerando, por exemplo, a vida de uma formiga tão valiosa quanto a de um ser humano. E é através deste respeito que coloca em prática, que surgem as possibilidades e ajudas necessárias para realizar três tarefas desafiadoras e salvar os irmãos de uma situação complicada.

As ilustrações trazem o colorido africano e a arte dos adornos do povo Zulu.
Ed. Lorousse Junior
 
 

A semente que veio da África



Textos: Heloísa Pires, Georges Gneka e Mário Lemos - Ilustração: Véronique Tadjo - Editora: Salamandra


Você conhece uma árvore chamada Adansônia? E embondeiro? Talvez conheça pelo nome de Baobá! Vários nomes e uma só espécie com muitas histórias para serem contadas. Este livro traz recontos que falam desta árvore que é um símbolo no continente africano sendo considerada como "a árvore da palavra". É uma árvore gigante na largura e na altura. Aqui no Brasil há algumas destas árvores.
O título dos livro nos remete à esta relação inseparável: África-Brasil. As histórias contidas neste livro trazem muito das tradições africanas como os "griots" e o respeito à sabedoria dos mais velhos.
Uma das histórias contidas no livro traz uma "explicação" para o fato de esta árvore ter os galhos voltados para cima e parecidos com raízes.
Ao final da livro, encontramos fotografias do Baobá em África e no Brasil, seus frutos, flores e crianças brincando com suas sementes.
As ilustrações são desenhos que têm o colorido que estão presentes nas padronagens e artes africanas.
 

A menina do feijão suculento

A menina do feijão suculento – texto: Stela Barbieri ilustração: Fernando Vilela - Ed. Escala Educacional.
Tenho lido este livro para várias turmas e as crianças gostam muito.
Ele conta a história de uma menina que mora em um lugar onde as pessoas vivem praticamente da plantação. Um dia, a seca toma conta do lugar. A fome se espalha e com ela mudam as relações entre as pessoas. A comunidade se torna triste e desanimada. A protagonista inventa uma forma de somar e dividir o alimento com a colaboração de todos e com isto se restabelecem as relações interpessoais, o sentido de grupo e de solidariedade.
O tema do livro está relacionado a um dos objetivos do projeto estabelecido pela ONU em 2000: "8 jeitos de mudar o mundo".

 http://literaturainfantilafrobrasil.blogspot.com.br/search?updated-max=2010-01-14T22:17:00-02:00&max-results=50

Compartilhando livros infanto-juvenis sobre a Negritude afro-brasileira - parte IV

A ovelha negra

Escrito por Bernardo Aibê e Ilustrado por Mariana Massarani - Ed. Mercuryo Jovem
O livro conta a história de uma ovelha que não gostava de ser negra. Queria ser igual às outras que eram brancas e com isso, sofria. Vivia triste. Embora não fosse desprezada pelas demais, sentia-se mal por se sentir e ser vista como diferente. A ovelha passa por um processo de conscientização e descobre que pode e deve ser feliz sendo uma ovelha negra. Ela passa a gostar de si mesma ao perceber que não precisa ser igual às outras para ser feliz.
Assim como a história fala de uma ovelha, não se difere de tantas pessoas que, devido aos padrões de beleza estabelecidos, acabam por se sentirem mal por sua pele negra. O desejo de embranquecer passa a ser um ideal da sociedade e de si. E para quê? Quantas e quantos alunas e alunos não temos em nossa sala de aula como a "ovelha negra" desta história?

 

Outros contos africanos para crianças brasileiras



Escritro por Rogério Andrade Barbosa e ilustrrado por Maurício Veneza  - Ed. Paulinas
O livro traz duas fábulas: a primeiro tenta explicar o por que de as galinhas d'angola terem pintas brancas. A segunda, sobre o motivos pelo qual  os porcos têm fucinho curto. Uma das histórias fala sobre uma premiação por um esforço que ajudaria a todos da localidade. A outra fala sobre inveja,enganação e  inocência.
Para quem gosta de oferecer outras linguagens acompanhadas das histórias, uma sugestão é após ou antes da história da galinha, ouvir, cantar e brincar com a música: "A galinha d'angola" de Vinícius de Moraes e Toquinho. E por que não também modelar galinhas d'angola ou usar outras técnicas como pintura ou colagem?

Histórias da Preta

Escrito por Heloísa Pires de Lima e ilustrado por Laurabeatriz - Ed. Companhia da Letrinhas
Através deste livro é possível conhecer muito sobre África: História, culturas e religião de matriz africana  contado pelo olhar crítico e questionador da personagem que da nome ao livro. No decorrer da história vemos que a menina questionoa também sobre o que é ser negro, o que o termo carrega de identificações negativas que podem levar a negação do ser negro. Paralelo a isto a personagem nos mostra o quanto é importante e significativo conhecer sobre a ascendência negra para a formação de uma identidade negra positiva. Quantos e quantas meninos e meninas não se idenficarão com  a "Preta" e seus questionamentos?
Há muitas  histórias dentro desta narrativa com riquezas de informações. As ilustrações trazem também contribuições significativas.
Como o texto pode ser considerado grande, uma sugestão é ler a história em capítulos. Vira uma "novela" com muita aprendizagem.

ABC do continente africano

Escrito por Rogério Andrade Barbosa e ilustrado por Luciana Justiniani Hees - Ed. SM
Como o próprio título sugere, o livro passeia pelo continente africano com sua diversidade e seus contrastes através das 26 letras do alfabeto. Para cada letra uma palavra. Algumas nos parecem tão simples, como a palavra mercado, mas que o autor de forma até poética e a ilustradora com certa riqueza em alguns detalhes, conseguem nos mostrar a importância e a movimentação existente no mercado como parte da cultura de povos africanos.
Encontramos então palavras que nos são familiares como HISTÓRIAS e outras nem tanto como: KALAHARI.
É ler e conhecer um pouquinho deste continente com o qual muito podemos aprender.
 

Um safári na Tanzânia

Escrito por Laurie Krebs e ilustrado por Julia Cairns - Ed. SM
Através do livro fazemos uma viagem com crianças Massai pelas savanas da Tanzânia.
As crianças de Educação Infantil se encantam e se sentem instigadas a descobrir o quantitativo de cada animal em seu habitat contando ou pelas rimas que o texto também apresenta.
Em cada página, ao lado do numeral que representa a quantidade de animais que foram contados por cada criança da história está escrito o nome deste numeral na língua kswahili.
As ilustrações retratam os tipos e cores de trajes e ornamentos tradicionais do povo Massai.
Ao final do livro encontramos pequenos textos que falam sobre: algumas características dos dez (kumi) animais que aparecem durante o safári; nomes das crianças que aparecem no texto e seus significados; caracterísscas e um pouco da história da Tanzânia e os numerais com as palavras em kswahili e em português.
Este é o tipo do livro que os pequenos, ao final, costumam dizer: "Conta de novo!"
 

Tequinho, o menino do samba

Escrito por Neusa Rodrigues e Alex Oliveira e ilustrado por Mello Menezes - Ed. Rovelle
O livro conta a história de um menino que nasce e mora numa comunidade onde o samba faz parte da vida e das histórias do lugar. É um menino toca na bateria e tem sonhos grandiosos para a escola de samba que faz parte da sua vida.
A tradição de contar histórias oralmente está presente no livro, pois a avó conta e reconta as histórias da escola de samba da comunidade para que faça parte da memória do grupo favorece também o sentimento de pertença.
O livro mostra alguns valores civilizatórios africanos como: memória, ludicidade, comunitarismo e oralidade. As ilustrações evidenciam ainda um outro valor civilizatório: a circularidade.
Ao final do livro encontramos um glossário que conta um pouco da história e/ou explica sobre palavras que estão ligadas ao Carnaval.
Quantos "Tequinhos" e "Tequinhas" será que temos em sala de aula e muitas vezes não nos damos conta da existência e das histórias deles e delas?


Ulomma - A casa da beleza e outros contos e Contos da Lua e a Beleza Perdida

Escritos por Sunny e ilustrados por Denise Nascimento - Ed. Paulinas
Os dois livros trazem contos tradicionais africanos. Embora tenha contos com animas, incluindo uma versão da história da tartaruga que vai à uma festa no céu, a maioria conta histórias de gente. As narrativas falam de diversas formas de amor e todas com muito encantamento. Há canções mágicas, estrelas cadentes, bruxas, fadas, animais com poderes mágicos etc... Temas como inveja e orgulho também estão muito presentes. São histórias para serem contadas e recontadas como os que são considerados como Contos Clássicos da literatura infanto-juvenil. 
Em relação às ilustrações, considero-as indescritíveis. Elas conseguem traduzir boa parte da emoção que estes contos nos trazem. Além disso, detalhes dos cabelos ou até mesmo a ausência deles, roupas, ornamentos nos conduzem ao continente africano e suas tradições.


















Erinlé, o caçador e outros contos africanos e O papagaio que não gostava de mentiras e outras fábulas africanas


Escritos por Adilson Martins e ilustrados por Luciana Justiniani Hees - Ed. Pallas
São dois livros de contos e fábulas africanas que trazem temas universais, mas da forma como são contadas em alguns países africanos. São contos e fábulas que falam sobre a mentira, a inveja, a esperteza etc... São histórias que procuram explicar origens de algumas coisas, outras que procuram trazer alguma forma de ensinamento. As personagens, animais e ambientação nos reportam ao berço da humanidade.
Ao final de cada fábula ou conto encontramos um pequeno texto informativo sobre característica do local onde ocorre a narrativa ou da personagem principal (animal ou gente). Com isso, além de podermos conhecer histórias da tradição oral, aprendemos um pouco mais sobre animais nativos e histórias locais e costumes e tradições de alguns povos.
 

Contos africanos para crianças brasileiras

Escrito por Rogério Andrade Barbosa e ilustrado por Maurício Veneza Ed. Paulinas
O livro traz adaptação de dois da literatura oral de Uganda, um país do continente africano.
São histórias com temas muito populares e conhecidos, mas com as características do lugar de onde foram recolhidas.
Uma tenta explicar por que gato e rato se tornaram inimigos. A segunda, ainda mais conhecida, procura explicar a causa do casco rachado dos jabutis.
As duas histórias costumam encantar não só crianças como jovens e adultos.
Quem tiver a cesso ao DVDescola que foi distribuído pelo MEC a várias escolas, poderá além do livro, mostrar também a primeira história intitulada: "Amigos, mas não para sempre" em DVD, pois esta história faz parte do programa Livros Animados do Canal Futura.
É uma ótima experiência ler a história para os alunos e mostrá-la na telinha.


Kofi e o menino de fogo

Escrito por Nei Lopes e ilustrado por Hélène Moreau - Editora Pallas
A história se passa em Gana e o autor nos mostra algumas tradições comuns ao povo de Gana e também de diferentes povos africanos como: a forma de escolher o nome para uma criança e o respeito aos mais velhos. Através da narrativa, o autor fala de modos de vida em uma aldeia africana e alguns fatos históricos procurando fazer uma relação entre África e Brasil, situando o leitor no tempo.
O tema principal é a imagem prévia que se faz do outro, constituindo-se num preconceito, ou seja, um conceito antecipado sobre algo ou alguém.
Kofi, o protagonista que dá nome ao livro nunca tinha visto pessoas não negras, mas sabia que existiam e começa a imaginá-los de acordo com o que ouve falar. Um dia, visitantes estrangeiros chegam à aldeia e há o encontro entre Kofi e uma outra criança não negra que também tinha conceitos formados sobre as pessoas negras.
No encontro as expectativas, os conceitos são postos à prova.
O autor enfatiza a importância de se conhecer pessoas indo para além das aparências e das diferenças.
O livro traz, ao final, um pouco sobre a história de Gana e algumas características do lugar como: economia, vestuário, alimentação etc...
 

Feliz Aniversário, Jamela!

Escrita e ilustrada por Niki Daly - SM edições

Neste livro, Jamela apronta mais uma das suas. Ela transforma seu sapato novo, que ganhou da mãe como presente de aniversário, e que serviria tanto para passear quanto para ir à escola, no sapato de princesa que desejava ter. A mãe fica uma fera, pois não tem dinheiro para comprar outro sapato para a escola.
Mas nem tudo foi perdido. A criatividade da menina acabou sendo reconhecida e foi possível contornar a situação e obter um sucesso inesperado.
A família de Jamela é constituída, basicamente, por duas mulheres: mãe e avó, o que não difere muito da constituição de muitas famílias na atualidade.

Livros Infanto-juvenis sobre a Negritude! - Parte III

Os tesouros de Monifa


Escrito por Sonia Rosa – Ilustrado por Rosinha - Ed. Brinque-Book


Muitos poderiam ser os tesouros que uma tataravó poderia deixar para seus descendentes. “Monifa” deixou a sua história, seus pensamentos e reflexões.

Este livro nos mostra o quando as pessoas arrancadas de suas terras e trazidas para serem escravizadas não deixaram escravizar seus pensamentos, seus sonhos, seus valores. A tataraneta, mesmo sendo muito nova, ao receber como presente o baú da tataravó, soube dar valor às histórias vividas que foram escritas ou contadas oralmente passadas de geração em geração.

Talvez esta seja uma das coisas que precisamos recolocar em nossa vida tão corrida: ouvir histórias vividas pelos nossos ancestrais. Com toda certeza, muito aprenderíamos. Lamento muito não ter recebido tal tesouro como a menina protagonista desta história. As ilustrações, cheias de flores em suas páginas, complementam esta narrativa cheia de delicadeza e ensinamentos.

O beijo da palavrinha

Texto: Mia Couto - Ilustrações: Malangatana   Ed. Língua Geral

A história se passa em uma aldeia no interior da África onde há uma família muito pobre que não conhece o mar.
Imagine alguém sentir o mar através da palavra MAR. O que esta palavrinha traz da grandeza do mar? O autor nos mostra que esta palavrinha traz muito desta grandeza e nos faz ver e sentir o mar ao defini-lo através de um momento de cumplicidade, sensibilidade, solidariedade e muita imaginação de dois irmãos.




Cadê?

Texto e Ilustrações: Graça Lima  - Ed. Nova Fronteira

Que criança não gosta de brincar de esconder? Que criança não brinca com a imaginação?
Neste livro, a mãe vai perguntando onde está o filho usando, em alguns momentos, termos carinhosos para se referir a ele como: amorzinho e menininho.
O menino vai andando pela casa e respondendo de acordo com a sua imaginação. Quando ele diz que está embaixo de uma girafa, por exemplo, na página seguinte vemos que ele está embaixo da mesa.
Que nunca percamos a possibilidade de ver além do que se apresenta.



Obax

Texto e ilustrações  de André Neves - Ed. Brinque-Book

Esta história é ambientada em aldeia africana e conta a história de uma menina que vê o que os os outros não conseguem ver e, portanto, não acreditam nela. Onde acaba a imaginação e começa a realidade? O que é verdade para um e mentira para o outro? A menina, com a imaginação de uma criança, senta em uma pedra e se vê dando a volta ao mundo nas costas de um elefante.
Ler esta história fez-me pensar e questionar: "Em que lugar deixamos a nossa capacidade de ver além do que a realidade, muitas vezes dura, nos apresenta?"
Obax, que significa flor, é um nome muito usado na Somália, é o nome da protagonista e desta história florida.
Vencedor do prêmio JABUTI 2011! Parabéns, André Neves!




A menina que bordava bilhetes

Escrito por Lenice Gomes e ilustrado por Ellen Pestili - Ed. Cortez
Um vilarejo, a chegada anual do Parque de Diversões, uma menina chamada Margarida que distribuía muitos versos cantados e bordados para as pessoas do lugar. Pessoas com sensibilidade e disponibilidade para olhar, ouvir e sentir o outro e a si mesmo aproveitando o momento mágico que estão vivendo.
Muitas brincadeiras, versos e cantigas folclóricas aparecem no texto mexendo com a memória de quem brincou na infância convidando-nos a brincar mais e mais.
A ilustração, além das pinturas, traz muitos bordados, fuxicos e coloridos. Esta diversidade aparece também nas personagens.


Neguinho aí

Escrito por Luís Pimentel e ilustrado por Victor Tavares - Ed. Pallas
Quantas e quantas vezes não ouvimos ou até mesmo falamos: " Neguinho isso", "Neguinho aquilo", "Neguinho quer..." Falas já tão costumeiras que muitas vezes nem nos damos conta. Afinal, quem é o "neguinho" que se faz presente nestas falas? Escrito em verso, o livro apresenta as variações para o uso do termo. "Neguinho" pode se referir ao branco, ao negro, ao pobre, ao rico. Pode ser um termo carinhoso ou pode ser pejorativo.
As ilustrações de Victor Tavares trazem uma família negra que foge de imagens estereotipadas. A família vive numa cidade grande com todos os seus contrastes. Há negros e não negros, há pobres e ricos.
O movimento que me parece ser uma caracterísca nas imagens deste ilustrador também está presente nesta obra.
Na última ilustração do livro vemos um avião carregando uma faixa com a frase: "Viva a diversidade". Esta diversidade está impressa no livro através das palavras e das imagens.

O Filho do Vento

Escrito por José Eduardo Agualusa e ilustrado por António Ole - Ed. Língua Geral
Esta é uma história baseada em um conto tradicional africano do povo koi-san.
O filho do vento, que era um menino, se transforma em pássaro que se alimenta das estrelas que foram criadas, por uma bela mulher, ao laçar para o céu as cinzas das sementes de uma planta.
Com palavras que soam como poesia, o conto traz uma versão sobre o surgimento da  lua e  principalmente, o nascimento do amor.
Amor que passa pelo conhecimento do outro, pela observação, pela admiração e por sonhos cultivados.
As ilustrações são feitas em guache sobre papel e aparecem em partes ampliadas, porém parciais. Ao final do livro, as pinturas estão destacadas em miniatura, mas com visão total.

Berimbau mandou te chamar

Organizado por Bia Hetzel e ilustrado por Mariana Massarani - Ed. Manati
Dificilmente alguém ouve o som de um berimbau acompanhado de atabaque e  consegue resistir não parando para dar uma olhada na roda de capoeira. O passo apressado pode perder a pressa ou, pelo menos, diminuir o ritmo só para ver o jogo de corpo e o movimento e/ou ouvir a batida, o ritmo e os versos dos capoeiras.
Neste livro, encontramos versos de cantigas antigas criadas e cantadas em rodas de capoeira. As ilustrações procuram mostrar o movimento e o humor presentes nas cantigas e também a diversidade que podemos encontrar nas  rodas de capoeira.
Ao final do livro, temos um texto que procura contar um pouco da história da capoeira que é um símbolo de luta e resistência da população negra.


O casamento da Princesa

Escrito por Celso Sisto e ilustrado por Simone Matias - Ed. Prumo 
Este livro é uma adaptação de um conto popular africano.
Abena, a princesa, é bela e admirada por muitos. Considerada a "princesa mais bela do mundo". Além disso, seus trajes e adornos são destacados como complementos à sua beleza natural.
A mão da princesa é disputada por dois pretendentes. Os dois se apresentam procurando mostrar suas melhores qualidades, sua força na natureza e importância na vida humana, sem deixar de cuidar da aparência física.
Um se apresenta diretamente a ela e o outro, ao rei, seu pai.
Como decidir?  O coração da princesa quer um, mas ela não se vê no direito de desrespeitar a palavra dada por seu pai ao outro pretendente.
A palavra na tradição africana tem força e não deve ser quebrada. O pai, por sua vez, não impõe sua palavra sobre a da sua filha. Eles se respeitam tanto quanto respeitam a tradição.
O rei, sabiamente, propõe um desafio aos pretendentes. Todos param para ver a disputa pela mão da princesa no dia do casamento.
Quando os tambores começam a tocar iniciando o desafio, as crianças que ouvem o conto, já estão tão dentro da história que já fizeram suas escolhas. Em todas as turmas para as quais já li o livro a reação foi semelhante: elas começam a torcer pelos seus favoritos e vibram com o resultado.
Devo destacar que além da adaptação estar muito bem feita, muito envolvente, a ilustração é belíssima! A ilustradora consegue trazer o texto para a imagem de modo a enriquecê-lo ainda mais. A imagem retrata o movimento presente no texto escrito. As ilustrações trazem também vários elementos de culturas africanas como:  diferentes vestimentas com diversidade de padronagens de tecidos, instrumentos musicais, vasilhames, etc...
Poucas são as histórias onde aparecem princesas negras. Elas contribuem muito para que se quebre a ideia errônea de que só existem princesas com características europeias.

Valentina

Escrito por Márcio Vassallo e Ilustrado por Suppa - Global Editora
Valentina é filha de um rei e de uma rainha, portanto, uma princesa.
Um princesa que é negra, usa óculos e tem orelhas de abano. Tudo dito e ou ilustrado de forma positiva. 
Ela vive em um castelo que é uma casa em um morro. O rei e a rainha são pessoas que descem para o asfalto, diariamente, para trabalhar e tentam proteger a filha das coisas não boas do mundo. Os pais de Valentina desejam o que muitos pais desejam aos seus filhos e que, como Valentina, não entendem o significado de: "ser alguém na vida".
O autor descreve Valentina e o "seu mundo" de forma muito poética e o asfalto de forma mais crítica.
Valentina é amada e bem cuidada pelos pais e tem uma autoestima elevada, portanto vai na contramão do que predomina no imaginário coletivo sobre as relações pais e filhos das pessoas que moram nos morros e favelas.
Quantas "Valentinas" encontramos em nossas salas de aula? Na minha caminhada já tive a felicidade de ver muitas.
Li que Valentina significa: forte, vigorosa, capaz de passar por cima de qualquer obstáculo quando quer realizar algo. Esta personagem não poderia ter outro nome.
O livro é muito rico em detalhes que só quem tem um olhar e uma escuta sensível poderia ser capaz de traduzir em palavras e imagens.
Toda vez que leio este livro fico querendo ler mais sobre a Valentina. Quem sabe um dia o autor não nos presenteia com a continuação de Valentina?

Se quiser ouvir um trecho da história, acesse o site do autor:
http://www.marciovassallo.com.br/
ou acesse o link sobre o livro Valentina:
http://www.marciovassallo.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=51&Itemid=59


Morrendo de rir

Escrito por Luciana Savaget e ilustrado por Maurício Veneza - Ed. Nova Fronteira
A história do livro é baseada no que ocorreu na Tanzânia, em 1962, quando uma "epidemia" de risos tomou conta do lugar. Imagine um colégio onde alunas começam a rir sem parar e em pouco tempo o "surto" de riso se espalha pela cidade. Médicos, cientistas e outros profissionais não conseguem explicar o ocorrido.
Quantas vezes já não vimos alunos rirem sem conseguir parar contagiando outros? Muitas vezes, nem eles sabem o motivo.
A autora faz alusão ao fato histórico e cria situações que poderiam ter ocorrido ou não, e aproveita também para adicionar personagens reais e atuais como Osama Bin Laden e Ronaldinho.
Até o Brasil, com a alegria mundialmente relacionada ao seu povo foi parar nesta história contada neste livro.
Em dias de tantas notícias tristes, como o que estamos vendo e vivendo no Rio de Janeiro, Niterói e outras cidades do estado do RJ, entre outros acontecimentos pelo mundo afora, ouvir uma história de riso, pode ser muito valioso e quem sabe um pouco contagioso para aliviar as tensões.

Se quiser saber um pouco mais sobre o fato, veja  o artigo no site da Revista SuperInteressante:
http://super.abril.com.br/ciencia/rir-melhor-remedio-442631.shtml

O menino Nito: então, homem chora ou não?

Escrito por Sonia Rosa e ilustrado por Victor Tavares - Ed. Pallas
Então, homem chora ou não? Esta pergunta que faz parte do título do livro ainda é uma questão que se discute em nossa sociedade. Por que o homem não teria direito de chorar?
Nito é um menino bonito. Tem uma característica considerada um problemão: chora muito. O pai lhe diz que não deve chorar porque é macho. O menino entende e passa a seguir o que o pai diz, mas  novos problemas começam a surgir como consequencias dos choros não chorados.
A autora trata o assunto com um certo humor e muita sensibilidade.
As crianças costumam gostar muito desta história e os meninos ficam muito atentos. Conversar com as crianças, antes ou depois desta leitura, nos ajuda a ver muitos dos preconceitos que eles já assimilaram sobre o tema. Para muitos, esta história pode ajudar a repensar sobre as frases que ouviram de adultos machistas e que reproduzem.
Esta história também pode ser encontrada na série "Livros Animados" do Canal Futura e que se encontra no DVDescola enviado pelo MEC a várias escolas públicas.
É interessante ler o livro e depois assistir pela TV.
 

Menina Bonita do Laço de Fita

Escrita por Ana Maria Machado e ilustrada por Claudius - Ed. Ática
Este é, sem dúvida alguma, o livro mais conhecido quando se fala em personagens negros na literatura infantil. Uma das obras mais premiadas da autora. 
     A história apresenta uma menina negra, bonita e um coelho branco que sonha em ter a sua negritude.
     Quem quiser conferir no site* da autora verá que a história surgiu para a filha dela que era muito branquinha, mas que ao produzir o livro utilizando uma situação que acontecia em casa, a autora optou por colocar a personagem negra assemelhando-a mais à realidade da população brasileira.

     Esta história também é encontrada no programa "Livros Animados" do Canal Futura. As escolas que receberam o DVDescola, possuem esta animação. A leitura do livro é um sucesso garantido. Se além da leitura, também virem a animação o sucesso fica mais garantido ainda. Vale conferir.

*http://www.anamariamachado.com/historia/menina-bonita-do-laco-de-fita

Luana, a menina que viu o Brasil neném

Escrita por Aroldo Macedo e Oswaldo Faustino e ilustrada por Arthur Garcia - Ed.FTD
Luana, menina capoeira, através da magia do som de seu berimbau, viaja no tempo e presencia a chegada de Cabral às terras brasileiras e o primeiro contato com os índios. A menina vê Caminha escrevendo a carta ao rei sobre as novas terras.
A narrativa conta também sobre os quilombos e a tradição oral de contar as histórias de lutas e conquistas do povo para que não sejam esquecidas.
Há versos cantados em rodas de capoeira e imagens de instrumentos e movimentos deste jogo, esporte, luta e arte da cultura negra.
Já tive a experiência de ler esta história em capítulos para os alunos. Foi um sucesso!
Para os que gostam de livros que possibilitem discussões ou desenvolvimento de algum projeto ligado a datas de momentos históricos, este livro é uma sugestão para os meses de abril e maio.