Então, de vez em quando eu apareço por aqui... kkkkkk
Desta vez, venho mostrar um trabalho que apresentei nesta última 4a feira, numa disciplina do Doutorado em Educação da UFRGS, que trata de Políticas Públicas em Educação. Minha temática era o PNEERQ - Plano Nacional de Educação Étnico-Racial e Educação Escolar Quilombola. Como não sei fazer uma coisa simples, direta, a pessoa resolveu usar a temática da Cadeia Produtiva do Carnaval para explicar os conceitos básicos da PNEERQ.
Mas não foi só isto! Eu abri a apresentação com o Samba-Enredo da GRES Paraíso do Tuiuti, ao som da maravilhosa voz do Pixulé. Para exemplificar e trazer o texto de forma mais lúdica, usei o Caderno Abre Alas, produzido anualmente pela LIESA - Liga Independente das Escolas de Samba do RJ, com as explicações/Sinopse do Tema. Fiz algumas alterações no texto, em especial na ortografia das palavras em yorubá, que tem um contexto bem específico e eu acredito que precisamos retomar esta escrita ancestral.
Eu não sei exatamente se os colegas entenderam, mas era pra ser um meio de instigar a curiosidade da turma. Pra fechar, botei uma mesa de doces, daqueles de Festa de Cosme e Damião mesmo... Com uma toalha de tecido cheio de Adinkras... Criando um clima étnico, envolvendo as pessoas energeticamente. Foi a minha pretensão!!
Bom, vou colocar o texto arrumado do Abre-Alas, as imagens e, se eu conseguir, os slides. Acho que é legal poder divulgar os trabalhos que misturam os conhecimentos acadêmicos com nossos conhecimentos de vivências comunitárias, como as Escolas de Samba, nossos Kilombos de guarda dde conhecimento afro-brasileiros.
G.R.E.S.
Paraíso do Tuiuti 2026
Rio de
Janeiro/RJ - LIESA
LONÃ
IFÁ LUCUMÍ
Carnavalesco: Jack Vasconcelos
HISTÓRICO DO ENREDO
Sinopse do Enredo - LONÃ[1] IFÁ[2] LUCUMÍ[3]
No princípio
era o axé... Quando Olodumare, o supremo criador da existência,
do universo e dos orixás, soprou o Emi (energia vital) para que o
primeiro ser humano moldado por Obatalá ganhasse vida com seu Orí
divinizado, consciente e portador daquele destino, Orunmila estava
presente e tudo assistiu. Todos os seres foram conectados energeticamente e os orixás,
regentes das forças da natureza, passaram a comandar cada aspecto e expressão
da vida humana.
Orunmila, o Èléri Ípìn, a testemunha da
criação, portanto, recebeu de Olodumare a dádiva de ser seu porta-voz no
oráculo de Ifá para guiar a humanidade pelo bom caminho e cada pessoa ao
melhor cumprimento de seu destino na dimensão terrena, o Ayiê, através
da comunicação espiritual com a dimensão sobrenatural das divindades, o Orún.
Epá Ojú
Olorun! Ifá Ò! (Viva os olhos do Criador! Ele é Ifá!)
Na cidade
sagrada de Ilé Ifé, fundada por Odudua e onde os primeiros
humanos moldados por Obatalá iniciaram sua caminhada na Terra, Orunmila,
o profeta dos destinos e guardião da sabedoria, transmitiu o conhecimento
oracular do Ifá aos Babalaôs Iorubás.
Sentados sobre
a esteira de palha, aprenderam a decifrar as mensagens de Orunmila
contidas nos Odús que se desenham ao jogarem o cordão aberto (o
princípio e o fim) trançado com oito metades de favas de Opelê sobre o
tabuleiro de madeira Oponifá. Lònà Ifá (Caminho de Ifá) Assim, os Babalaôs
Iorubás levaram o Ifá praticado na sagrada Ifé, e na cidade
de Oyó, mundo antigo afora semeando a palavra de Orunmila.
Pelas rotas
comerciais para além do Saara, de Kemet à Babilônia, os
sacerdotes contaram as histórias e ensinamentos contidos nos Patakis,
louvaram Orikis para as divindades e ofereceram os ebós pedidos nos Odús
revelados nas caídas dos seus Opelês sobre os Oponifás.
Até que o
caminho de Ifá cruzou o Atlântico, à força, acorrentado no destino dos Iorubás
escravizados e traficados para a exploração do Novo Mundo. Olokun,
divindade soberana dos mares e dos segredos da vida e da morte, transportou em
suas águas a tradição religiosa africana até o mar caribenho para que a
ancestralidade iorubana fosse recebida pela ancestralidade indígena dos Taínos
naquela ilha que seus originários chamavam Cubanacan ou, simplesmente, Cuba.
Mo júbà!
Oluku mi! (Vos
saúdo! Somos amigos!)
Com a chegada
dos Iorubás de Ifé e Oyó em terras cubanas para o trabalho
nas fazendas de cana-deaçúcar e café, nasceu a nação Lucumí. Para o
regime escravagista espanhol, lucumis eram todos os cativos iorubanos em
geral, porém, os próprios escravizados se identificavam sinalizando suas
origens, como: Lucumí-Oyó, Lucumí-Egba, Lucumí- Ekiti, Lucumí-Ijebu...
Sob a
irradiação aguerrida de Oggun, o primeiro rei de Ifé, os lucumis
levantaram os metais de seus facões diversas vezes contra a tirania dos
colonizadores. Na província de Matanzas, a escravizada iorubá Carlota
Lucumí liderou a Insurreição do Engenho Triunvirato, que destruiu
vários engenhos, eliminou colonos, incendiou fazendas e libertou centenas de
escravizados.
Oggun Ye!
Mo ye! (Ogum está
vivo! Eu estou vivo!)
Matanzas, aliás, foi o berço do Ifá
cubano e o pai foi o babalaô Remígio Herrera, o Adechina. Um
ex-cativo de engenho açucareiro que, quando alforriado, foi para Nigéria
ser consagrado em Oyó. Com a missão dada por Orunmila de fundar o
primeiro Cabildo Lucumí na América hispânica, retornou a Cuba trazendo
os fundamentos da Regla de Ifá e iniciou o primeiro babaláo em
solo cubano: Tata Gaytán.
O Ifá
cubano se expandiu e adquiriu caráter próprio. A língua Lucumí assimilou
influência de falas indígenas e espanholas e "lucumizou" as
expressões. Altas deidades e Orishas, maiores e menores, formaram o
panteão divino. O Obí advinhação com cocos, rachados em quatro partes
para que as combinações entre as faces claras (o interior) e escuras (a casca)
respondam pelas divindades ao serem lançadas no chão, se tornou marca do Ifá
cubano. Os filhos de Orula (Orunmila) iniciados passaram a ser
identificados pelo uso do Ileké no pescoço ou do Idefá no pulso
esquerdo para lembrar do pacto que Orula fez com a morte para que ela
não leve os seus antes do tempo destinado. Ambos feitos de contas verdes e
amarelas que representam a união da sabedoria de Orula (o verde do viço
das folhas frescas) com a fertilidade de Oxum (o amarelo da decomposição
das folhas) que nos lembram do inevitável ciclo da vida.
Para despistar
a perseguição aos cultos de matriz africana, Iorubás identificaram seus Orixás
com santos católicos e criaram a Santería, também conhecida como Regla
de Ocha ou Regla Lucumí, onde o Ifá é o centro oracular
divinatório. Se expandiu pela ilha após a Revolução Cubana e ficou ainda mais
popular depois que o Estado mudou de ateu para laico com a extinção soviética.
Hoje, a mão de Orula está presente na vida de grande parte do povo
cubano e os tambores Batá ressoam consagrados em Ifá pelos cabildos
de Havana.
Agô Ilé. (Peço licença para entrar)
Existe uma
conexão espiritual entre Cuba e o Brasil, enraizada em nossa reverência aos
Orixás e aos nossos ancestrais africanos, que nos enlaçam culturalmente e
energeticamente há gerações. O destino quis que o Ifá Lucumí se
ramificasse até aqui e se consolidasse no Rio de Janeiro através do Opelê
e do Oponifá do Babalaô cubano de linhagem dos veneráveis Adeshina
e Tata Gaytán, Rafael Zamora. Dessa bendita rama continua
a florescer Babalaôs brasileiros, afilhados, famílias em Ifá e
comunidades-terreiro dedicados ao culto de Orunmila.
Num momento tão
difícil para a humanidade na Terra como este, com tantos conflitos e
desequilíbrios, que Ifá nos guie no caminho para o bom caráter, respeito e a
harmonia entre as pessoas e a natureza. Que Orunmila ordene o mundo nos
caminhos do bem.
Iboru[6]
Iboya[7]
Ibosheshe[8]! (Que nossas súplicas sejam ouvidas!)
JUSTIFICATIVA
Receber o livro
“Ifá Lucumí – o resgate da tradição”, de autoria do majestoso Nei Lopes, das
mãos do (então futuro) diretor de carnaval da agremiação, Leandro Azevedo, me
atingiu como um recebimento de uma missão. Uma grandiosa missão. Dessas que
mudam a vida, as vidas. Senti imediatamente que não era uma simples sugestão
para o desenvolvimento de um enredo. Ali estava chegando um recado a ser dado
para a humanidade e que a ancestralidade Iorubá havia escolhido uma escola de
samba como veículo para esta comunicação. Não era um acaso. Era um chamado de
Orunmila. Prontamente aceito.
Dois mil e
vinte e seis é visto pela espiritualidade como um ano de começos,
renascimentos. Vivemos em uma era de mudanças intensas (estruturais,
econômicas, sociais, climáticas) onde o mundo que “conhecíamos até agora”
parece estar se fragmentando com tantos conflitos, potencializados pelo
esgotamento do modelo capitalista e o estrangulamento do modelo neoliberal. A
sociedade contemporânea, cada vez mais focada no materialismo, na produção e
consumo excessivos, na performance, no sucesso a qualquer custo, sente a
solidão e o isolamento social em ascensão apesar da hiperconectividade digital.
Neste cenário, muitas pessoas se pegam em vazios existenciais, perdidas em
dilemas, com discernimento corrompido. E a orientação espiritual de Ifá oferece
uma bússola para navegar nesse mundo, onde a humanidade pode buscar orientação,
direção e propósito, fortalecendo a conexão de cada indivíduo com sua essência
e destino.
O Ifá é um
sistema divinatório e filosofia de vida ancestral da tradição iorubá, originado
na África Ocidental, que funciona como oráculo e porta-voz do orixá Orunmila (o
próprio Ifá, Deus da sabedoria e destino) para guiar as pessoas ao
autoconhecimento, equilíbrio e boa sorte, usando os Odu Ifá como base de
conhecimento. Não é apenas uma religião, mas um conjunto de sabedorias
transmitidas oralmente, focado em ética, destino e conexão com os ancestrais.
A filosofia de
Orunmila-Ifá enfatiza a ética e a formação de um bom caráter, ensinando que o
conhecimento é a chave para o equilíbrio e a prosperidade. Orunmila recebeu de
Olodumare, o Deus supremo, o conhecimento e o segredo dos destinos humanos. Ele
é o orixá que detém o conhecimento de tudo o que foi traçado antes do
nascimento de cada pessoa e atua para guiar os seres humanos em direção ao seu
desígnio e equilíbrio na Terra. Ele altera o dia da morte, organiza e ordena o
mundo nos caminhos do bem, transitando entre o céu (Orun) e a terra (Aiyê). Ele
é o orientador da humanidade, o senhor do destino e o guardião da sabedoria.
O enredo propõe
uma jornada pelo “destino” do próprio “Oráculo do senhor dos destinos”, sua
própria caminhada pela humanidade. Lonã (onã, lonan) em iorubá quer dizer
caminho. Portanto, o título do enredo, “Lonã Ifá Lucumí” pode ser traduzido
como “O caminho do Ifá Lucumí”. O termo Lucumí deriva da frase iorubá “Olùkù
mi”, que significa “meu amigo”. Ele foi usado na era do comércio transatlântico
de escravizados para se referir a pessoas de origem iorubá. Principalmente em
Cuba, onde os “Lucumí” e seus descendentes preservaram grande parte de sua
religião, língua e cultura. Lá, eles estabeleceram o culto de Orunmila-Ifá e
moldaram o Ifá Lucumí.
De lá, o Ifá
Lucumí “caminhou” para o Brasil e se estabeleceu de forma definitiva pelas mãos
do Babalawo (Babalaô) cubano Rafael Zamora Díaz. Ele fundou vária Egbés
(comunidades/casas de culto) no Rio de Janeiro e consagrou o primeiro Babalawo
brasileiro em solo brasileiro. Atualmente, a religião afro-cubana tem adeptos
em todo território nacional e é das que mais cresce.
Aliás, falando
da “rama” descendentes/família) de Rafael Zamora no Brasil, fui orientado pelo
Babalawo Alfredo Martins Júnior Awo Ojuani Shogbe e amavelmente acolhido pela
sua casa, a Egbé Ifá Lonã, durante o processo de desenvolvimento e pesquisa
desse enredo-jornada. Ao final, me lembro do início quando recebi o livro
escrito pelo Babalawo Nei Lopes Awo Ogbe Otrupon, trazido pelo diretor de
carnaval da escola, Leandro Azevedo Awofakan Ni Orunmila Ogbe Fun Funló.
A missão
recebida de transformar o Ifá Lucumí em enredo era uma predestinação de 8
Orunmila, o senhor do destino, que só poderia ser realizada na escola de samba
que afirma em um de seus sambas-enredo mais famosos que ela tem um destino a
cumprir.
Que o Paraíso
do Tuiuti cumpra seu destino guiado pela luz de Orunmila. Ashé!
Que nosso amor
seja emanado em milhares de vozes daqui do Ayiê e chegue no Orun para tocar os
Orixás. Ashé!
Que a mão de
Ifá nos oriente em nossa caminhada. Ashé!
Iboru, Iboya,
Ibosheshe!
Jack
Vasconcelos
Awofakan Ojuani
Shobi
Carnavalesco
SETORIZAÇÃO
1° Setor
O destino
primordial do Ifá O primeiro setor inicia o enredo abordando a criação do
destino primordial do Ifá, que é a missão de guiar os seres humanos para o
melhor cumprimento de seus destinos. Essa orientação será feita através do
Oráculo de Orunmila-Ifá e intermediada/interpretada/realizada pelos Babalawos,
os “pais do segredo” que serão preparados para essa missão. Abordaremos a
grande criação de Olodumare, o deus supremo, a importância de Orunmila como a
testemunha dessa criação e o aparecimento do sistema Ifá para a comunicação
entre o plano terreno e o espiritual, entre Orun (terra) e o Ayiê (céu), entre
os homens e os Orixás… Orunmila, o senhor da sabedoria e dos destinos, o
benfeitor principal da humanidade, entrega e ensina o Ifá na sagrada cidade de
Ilé Ifé para os Babalawos repassarem o conhecimento ao resto da humanidade.
Neste setor, usaremos os tons de branco e prata como predominância, pois é a
cor dos Orixás primordiais, os FunFun (Branco), as primeiras divindades criadas
por Orunmila, pois a a paz e sabedoria de Orula (Orunmila) está presente e
irradiando de todo o setor.
O destino
milenar do Ifá A cidade sagrada de Ilé Ifé, berço da cultura iorubá e centro
espiritual do Ifá, prosperou e se tornou opulenta por estar localizada numa
encruzilhada de rotas comerciais. Com isso, o Ifá teve uma irradiação de seu
conhecimento que alcançou civilizações importantes historicamente impulsionado
pelas rotas comerciais transaarianas, na medida em que a cidade de Ifé era um
ponto de influência e até mesmo um potencial terminal dessas redes de comércio.
Neste setor é abordado o lonã (destino) do Ifá para além dos domínios de sua
cidade natal, Ifé, até chegar em outros povos da antiguidade. O objeto que
representa a presença do Ifá nessas passagens é o Oponifá, o tabuleiro redondo
que é um instrumento fundamental na prática oracular. O Oponifá é
propositalmente presente em todo o setor, como um leitmotiv visual, para
sinalizar o caminho percorrido e a presença do Ifá nas civilizações citadas no
Ifá. Também os dourados, cobres e pedrarias são usados para lembrar os metais
preciosos e as riquezas comercializadas (que proporcionaram o Ifá a chegar
nestas civilizações através das rotas de comércio), além de serem signos de
poder e importância dessas civilizações no mundo antigo.
3° Setor
O destino
transatlântico do Ifá A principal forma de disseminação do Ifá ocorreu através
da diáspora africana e do tráfico de pessoas escravizadas para as Américas,
onde a religião se adaptou e se integrou a novas culturas, como em Cuba. O que
permitiu que a cultura e a religião iorubá sobrevivessem no novo mundo,
incluindo, notavelmente, nas colônias espanholas no Caribe. Neste setor
abordaremos essa travessia com olhar poético pelo reino marinho do orixá
Olokun, o senhor iorubá dos mares, até desembarcar no continente americano como
num encontro de ancestralidades: a africana com a caribenha. Tons de azul e
prata fazem referência ao senhorio aquático de Olokun, os dourados com tons de
vermelho e amarelo simbolizam o domínio da coroa espanhola na ilha cubana, e os
tons de cores mais vivas refletem a vibração solar da natureza tropical.
4° Setor
O destino Lucumí do Ifá Para a colonização, ainda no início do século XVI chegou o primeiro “carregamento” de cativos africanos na ilha para a exploração colonial nas rudimentares fazendas produtoras de cana-deaçúcar. Posteriormente, com o avançar dos anos, a exploração da força de trabalho escravizada aumentou para alimentar outras formas de produção. O termo Lucumí (ou Lukumí) deriva da expressão Iorubá “oluku mi”, que significa “meu amigo”. Como os próprios escravizados iorubanos se cumprimentavam dessa forma, pois era uma espécie de termo de identidade que os identificava entre eles em suas origens (laços culturais, religiosos e linguísticos), os espanhóis passaram a nomeá-los de Lucumís e o Lucumí se transformou em um símbolo de resistência e preservação cultural. Neste setor, abordaremos a “plantação e o florescer” da presença dos Iorubás Lucumís na terra cubana. Ele é dedicado à importância da atuação da população Lucumí na historia colonial de Cuba, pois sem eles não existiria o Ifá cubano como conhecemos hoje. Os tons de verde predominam e costuram visualmente o conjunto do setor. Não apenas para aludir à agroexploração, mas também é a cor atribuída ao orixá Oggun (Ogum) na tradição Lucumí. Como se Oggun estivesse sempre presente em cada um dos assuntos abordados nas alas e no tripé que finaliza esta passagem, pois ele é o orixá guerreiro essencial na evolução humana, criador das ferramentas e abridor dos caminhos para que a sabedoria de Ifá possa ser semeada, cultivada e se manifestar. No solo cubano
5° Setor
O destino
cubano do Ifá O conhecimento complexo do Ifá foi preservado, transmitido
oralmente e o culto de Ifá se enraizou. Neste capítulo do enredo trataremos a
ramificação do Ifá em Cuba. Homenagearemos fundadores e abordaremos algumas
características e tradições próprias do chamado Ifá Lucumí até seu
desdobramento no culto conhecido como Santeria, ou apenas Lucumí, que também
utiliza o oráculo de Orunmila e os orixás Iorubás, mas com viés sincrético
católico devido à herança colonial nos antigos cabildos. Em relação as cores, nota-se a presença da
combinação verde-amarela na construção visual do setor devido sua importância
espiritual no culto e também ser simbolo do Ifá cubano (já que o Ifá nigeriano
usa a combinação verde-marrom como simbolo). O verde e o amarelo no Ifá cubano
representam o equilíbrio entre a vida (verde) e a morte (amarelo). São cores
fundamentais na proteção espiritual e na identificação dos iniciados no uso em
colares (Elekes) e pulseiras (Idé Ifá). Elekes e Idefás, aliás, aparecerão por
todo o setor para marcar de forma irrefutável de que se trata do Ifá Cubano, o
Ifá Lucumí. Especificamente, este setor se encerrará com duas alas que
complementam o assunto sobre o desdobramento do Ifá Lucumí na Santeria e que é
tratado na parte posterior da quarta alegoria.
6° Setor
O destino
brasileiro do Ifá A rama do Caribe se expandiu e estava no destino (lonã) do
Ifá Lucumí chegar ao Brasil, de forma efetiva, pelas mãos de um Babalawo
cubano: Rafael Zamora Diaz, afilhado da linhagem (rama) do venerável Babalawo
Adesinha. Neste setor final concluiremos o enredo com a vinda do oráculo de
Orula e seu estabelecimento como um cumprimento de seu próprio destino, fazendo
do Brasil uma grande Egbé (comunidade) de onde a palavra de Orunmila se
irradiará para toda a Humanidade. Nota-se aqui que a dupla cromática
verde-amarelo também se faz presente para representar não apenas o Ifá cubano,
mas também o Brasil em uma simbólica união espiritual.
PESQUISA
Autores do Enredo: Jack Vasconcelos e Leandro
Azevedo
Referências:
ALCARAZ, José
Luís. Santería cubana, rituales y magia. Madri: Tikal Ediciones, 2013.
ARAÚJO, Leonor
Franco de. Sistema filosófico de Ifá. Salvador: Tese (Doutorado em Difusão do
Conhecimento) – Programa de Pós-Graduação Multi-institucional em Difusão do
Conhecimento, 2023.
LOPES, Nei. Ifá
Lucumí : o resgate da tradição. Rio de Janeiro: Pallas, 2020.
LOPES, Nei;
SIMAS, Luiz Antonio. Filosofias Africanas: uma introdução. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2023.
LÓPEZ VALDÉS,
Rafael L. Africanos de Cuba. San Juan, Porto Rico: Centro de Estudos Avançados
de Porto Rico e Caribe, 2002. MINTZ Sidney W.; PREÇO, Richard. O nascimento da
cultura afro-americana: uma perspectiva antropológica. Rio de Janeiro: Pallas e
Universidade Candido Mendes, 2003.
PORTUGAL FILHO,
Fernandes. Ifá, o senhor do destino: Olórun Ayanmo. São Paulo: Madras, 2010.
SILVA Sebastião
Fernando da. A Filosofia de Òrúnmìlà-Ifá e a formação do Bom Caráter. Goiânia:
Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) – Escola de Formação de
Professores e Humanidades, Pontifícia Universidade Católica de Goiás, 2015.
Letra do Samba de 2026:
Ibarabò[9]
Àgò[10] Lọ́nà[11],
olukumi[12]
(Gbàrà Àbọ̀
Àgò Lọ́nà, oluku mi)
Iboru[13], Iboya[14],
Ibosheshe[15]
Canta, Tuiuti
(Gbọ́rọ̀, Gbóyà, Gbọ́ Ṣeéṣe)
Canta, Tuiuti
Meu padrinho me falou
Cada um tem seu orí[16]
O destino é professor
A raiz é oluku mi
Ifá[17], retira dessa flor os seus
espinhos
Revela meu odù[18] e seus
caminhos
Com os ikins[19] de Ọ̀rúnmìlà[20]
Me dê seu iré[21]
para a vida
Olódùmarè[22],
Criador
Espalhou àṣẹ[23]
e amor
No ilé[24]
dos òrìṣàs[25]
E o negro, iniciado no segredo
Do reino de Olókun[26],
fez sua trilha
Rompendo os grilhões de morte e medo
Foi o primeiro Bàbáláwo[27]
da ilha
Bàbá[28] mo foríbalẹ̀[29]
Bàbá mo foríbalẹ̀
Ọ̀rúnmìlà taladé[30]
Bàbá mo foríbalẹ̀
Eleguá[31]
É o dono do poder
Moenda não pode mais moer
Põe fogo na cana
Eleguá
Tem mandinga e dendê
Hoje o coro vai comer
Nas barbas de Havana
Ah, o ânimo de ser do
baticum
Com a lâmina sagrada de Ògún[32]
E a sina de quem ama o idefá[33]
Ah, a rama do Caribe se
expandiu
No verde e amarelo do Brasil
Nas cordas do ọ̀pẹ̀lẹ̀[34] e no ọpọ́n-ifá[35]
Derruba os muros quem sabe
asfaltar
Caminhos abertos na mão de Ifá
Que o mundo entenda: O ẹbọ[36]
vence a dor
Sentado à esteira de um Bàbáláwo
[1] Lọ́nà –
substantivo. Caminho, forma, maneira. Lọ́nà náà tì yíò fi tètè yé mi – A
forma que usará me esclarecerá rapidamente. BENISTE, José. Dicionário Yorubá –
Português. Editora Melhoramentos, 2021, p. 511.
[2] Ifá -
Sistema de consulta divinatória que utiliza 16 coquinhos de palmeira, ọ̀pẹ
ifá. Pela sua importância, é visto como uma divindade. São consultados os
16 odus principais, ojú ọdú, e os 240 odus menores, ọmọ ọdú, num
total de 256. À medida que são revelados, algumas marcas são riscadas numa
bandeja, ọpọ́n, salpicada de um pó, ìyẹ̀ròsùn, e revelarão
narrativas, ìtàn, a serem interpretadas. Ifá (Fá) pode ser usado
como prefixo de palavra para formar nomes próprios: Fágbèmí Ifá me apoia; Fásínà – Ifá abre os
caminhos; Fáyọ̀mí – Ifá me dá felicidade. BENISTE, 2021, p. 343-344.
[3] Lucumi - O
termo Lucumí (ou Lukumí) deriva da expressão Iorubá “oluku mi”, que
significa “meu amigo”. Como os próprios escravizados iorubanos se
cumprimentavam dessa forma, pois era uma espécie de termo de identidade que os
identificava entre eles em suas origens (laços culturais, religiosos e
linguísticos), os espanhóis passaram a nomeá-los de Lucumís e o Lucumí se
transformou em um símbolo de resistência e preservação cultural. (LOPES, 2020)
[4] Láròyé –
s. Debate, discussão, controvérsia. BENISTE, 2021, p.495
[5] Sobre Eleguá,
nome derivado do iorubá Ẹlẹ́gbára, uma das
denominações de Èṣù (Echú; Exu), saiba-se
[6]Iboru → Gbọ́rọ̀ , v. Ouvir as palavras, ouvir as pessoas, as
novidades. Ó gbọ́rọ̀ mi – Ele compreendeu o que eu disse. <gbọ́ +
ọ̀rọ́>.
[7]Iboya → Gbóyà, v. Ser corajoso, ser bravo. =
gbójú. Adj. Valente, corajoso, valoroso. <gbò + àyà>.
[8]Ibosheshe → Gbọ́, v. 1. Ouvir, escutar. Ẹ
gbọ́ kedere
– Ouça claramente: Mo gbọ́ ọ̀rọ̀ rẹ
– Eu ouvi suas palavras. 2. Atender, dar atenção a. Ó gbọ́ aya rẹ̀ - Ele deu atenção à esposa dele. 3.
Prepaprar, aprontar. Ó gbọ́ onjẹ –
Ela preparou comida. V. wá. Ṣeéṣe, v. Ser possível, ser provável. Èyí ha ṣeéṣe ni tòótọ́ bí? Isso é
realmente possível?
[9] Ibarabò –
uma das qualidades de Esù, um dos caminhos ou egbés. Representa
uma das formas como erra divindade se manifesta, muitas vezes ligado à
ancestralidade e à sabedoria. É a constrição de palavras, para um sentido
maior. Gbàrà. Adv. Assim que, agora, imediatamente. Bí ó bá ti
jí gbàrà lọ sọ́dọ̀
rẹ̀ – Assim
que ele acordar, vá imediatamente para junto dele. Àbọ̀, s.
Retorno, chegada, volta. Ẹ kú àbọ̀ – Seja bem-vindo. V. dí.
(BENISTE, 2020, p. 34 e 304). Sentido: Aquele que faz o retorno rapidamente, o
Orixá que dá a volta imediatamente.
[10] Àgò –
substantivo. Forma de pedir licença. Àgò onílé o – Com licença ao dono
da casa. Resposta: Àgò yà – Entre, por favor (lit. licença para
encaminhar!) V. yàgò. (BENISTE, 2021, p. 51)
[11] Lọ́nà –
substantivo. Caminho, forma, maneira. Lọ́nà náà tí yíò fi tètè yé mi – A
forma que usará me esclarecerá rapidamente. (Idem, p. 511)
[12] O
termo Lucumí (ou Lukumí) deriva da expressão Iorubá
“oluku mi”, que significa “meu amigo”. Como os próprios escravizados
iorubanos se cumprimentavam dessa forma, pois era uma espécie de termo de
identidade que os identificava entre eles em suas origens (laços culturais,
religiosos e linguísticos), os espanhóis passaram a nomeá-los de Lucumís e o
Lucumí se transformou em um símbolo de resistência e preservação cultural.
(LOPES, 2020)
[13] Iboru → Gbọ́rọ̀
, v. Ouvir as palavras, ouvir as
pessoas, as novidades. Ó gbọ́rọ̀ mi – Ele compreendeu o que eu
disse. <gbọ́
+ ọ̀rọ́>.
[14] Iboya → Gbóyà,
v. Ser corajoso, ser bravo. = gbójú. Adj. Valente, corajoso, valoroso. <gbò
+ àyà>.
[15] Ibosheshe → Gbọ́, v. 1. Ouvir,
escutar. Ẹ gbọ́ kedere – Ouça
claramente: Mo gbọ́ ọ̀rọ̀ rẹ
– Eu ouvi suas palavras. 2. Atender, dar atenção a. Ó gbọ́ aya rẹ̀ - Ele
deu atenção à esposa dele. 3. Prepaprar, aprontar. Ó gbọ́ onjẹ – Ela preparou comida. V. wá. Ṣeéṣe, v. Ser
possível, ser provável. Èyí ha ṣeéṣe ni tòótọ́ bí? Isso é
realmente possível?
[16] Orí. S.
Cabeça. Orí nfọ̀ mi – Estou com dor de cabeça; Ẹ kú orí re o! –
saudação a uma pessoa que tem uma boa cabeça, que tem sorte. Pode ser usado
para definir coisas altas ou destacadas: orí igi – alto da árvore; orí
ika – ponta do dedo; orí ìwé – capítulo de um livro; orí òkè
– alto da montanha; olórí ogun – comandante de uma batalha. Forma
preposição: ní + orí = lóri – sobre, em cima de; sí
+ orí = para cima; Ológbò lọ sórí àga – O gato foi para cima da
cadeira. (BENISTE, 2020, p. 591)
[17] Ifá -
Sistema de consulta divinatória que utiliza 16 coquinhos de palmeira, ọ̀pẹ
ifá. Pela sua importância, é visto como uma divindade. São consultados os
16 odùs principais, ojú ọdú, e os 240 odus menores, ọmọ ọdú, num
total de 256. À medida que são revelados, algumas marcas são riscadas numa
bandeja, ọpọ́n, salpicada de um pó, ìyẹ̀ròsùn, e revelarão
narrativas, ìtàn, a serem interpretadas. Ifá (Fá) pode ser usado
como prefixo de palavra para formar nomes próprios: Fágbèmí Ifá me apoia; Fásínà – Ifá abre os
caminhos; Fáyọ̀mí – Ifá me dá felicidade. BENISTE, 2021, p. 343-344.
[18] Odù, s.
Conjunto de signos do sistema de Ifá que revela histórias em forma de poemas,
que servem de instruções diante de uma consulta. Os 16 principais (são 256) são
os seguintes: 1 – Èjì Ogbè; 2 – Ọ̀yẹ̀kú
Méjí; 3 – Ìwòrì Méjì; 4 – Òdí
Méjì; 5 – Ìròsùn Méjì; 6 - Ọ̀wọ́nrín Méjì; 7 – Ọ̀bàrà Méjì;
8 – Ọ̀kànràn Méjì; 9 – Ògúndá Méjì; 10 – Ọ̀sá Méjì; 11 – Ìká
Méjì; 12 – Òtúrúpọ̀n Méjì; 13 – Òtùwá Méjì; 14 - Ìrẹtẹ̀
Méjì; 15 – Ọ̀sẹ́ Méjì; 16 – Òfún Méjì.
[19] Ikin, s.
Coquinho do dendezeiro. Na prática religiosa, eles simbolizam a personalidade
de Ọ̀rúnmìlà, sendo utilizados os que possuem quatro orifícios ralos,
conhecidos como olhos e jogados em número de 16, em oito jogadas sucessivas que
objetivam encontrar oito sinais – odù. V. ọ̀pẹ̀lẹ̀. (BENISTE,
2020, p. 367)
[20]
Ọ̀rúnmìlà, s. Divindade cujo culto
está ligado às diferentes formas de consulta divinatória. É também conhecida
por Ifá, que, na realidade, é a denominação do sistema de consulta. Representa
os princípios do conhecimento e da sabedoria, por conhecer o segredo do destino
das pessoas e assim poder orientá-las. Sua saudação: Ọ̀rúnmìlà Bàbá Ifá
– Ọ̀rúnmìlà é o senhor de Ifá. (BENISTE, 2020, p. 625)
[21] Iré, Eré, Até,
s. Jogo. > ṣiré – brincar. (BENISTE, 2020, p. 388)
[22] Olódùmarè,
s. Deus, o Onipotente. = Èdùmàrè, Ọlọ́run. (Beniste, 2020, p. 574)
[23] Àṣẹ, s. 1. Força,
poder, o elemento que estrutura uma sociedade, lei, ordem. Ó fi àṣẹ fún mi –
Ele me deu autoridade; Mo gba àṣẹ lọ́wọ́ rẹ̀ – Eu recebi uma ordem
oficial dele. 2. Palavra usada para definir o respeito ao poder de Deus, pela
crença de que é Ele que tudo permite e dá a devida aprovação. Àṣẹ dọwọ́ Olódùmarè – Que assim seja! (lit.
O poder está nas mãos de Deus). (BENISTE, 2020, p. 128)
[24] Ilé, s.
Casa. Òun ti lọ sílé – Ela foi para casa. Também usado na formação de
palavras. V. adodo. (BENISTE, 2020, p. 372)
[25] Òrìṣà, s. Divindades
representadas pelas energias da natureza, forças que alimentam a vida na terra,
agindo de forma intermediária entre Deus e as pessoas, de quem recebem uma
forma de culto e oferendas. Possuem diversos nomes de acordo com a sua
natureza. Mo ti gbogbo òrìṣà búra – Eu juro por todas as divindades; Ẹ̀sìn
òrìṣà n imo nbọ - É a religião dos orixás que eu cultuo; Òrìṣà mi ni Ọ̀ṣun
– Minha divindade de devoção é Oxum. = òòṣà. (BENISTE, 2020, p. 592)
[26] Olókun,
s. Divindade feminina dos mares e oceanos. (BENISTE, 2020, p. 575)
[27] Bàbáláwo, s. Sacerdote de Ifá (lit. aquele que conhece os
mistérios ocultos, os mistérios transcendentais). <bàbá + ní + awo =
bàbáláwo. (BENISTE, 2020, p. 148).
[28] Bàbá, Baba,
s. Pai, Mestre. Bàbá mi bí ọmọ mẹ́rin – Meu pai deu nascimento a quatro filhos; bàbá ìsàmi
– padrinho. (BENISTE, 2020, p. 148).
[29] mo foríbalẹ̀ ->
mo, pron.pess. Eu. Forma enfática usada nos tempos presentes, pretérito
perfeito e gerúndio dos verbos. Mor í ẹ - Eu vi você; Ìyẹn n imo tà – É aquela
que eu vendi. Antes da partícula verbal n, toma um tom baixo (acento grave). Mò
nlọ jáde – Eu estou indo embora. Não é usado em frases negativas, sendo
substituído pelas outras formas de pronome, como ng, n, mi ou èmi.
-> Foríbalẹ̀, v. Bater a cabeça em sinal de reverência,
prostar-se, saudar. Ò foríbalẹ̀ níwájú òrìṣà – Ele prestou reverência
diante da divindade. <fí + orí + bà + ilè> (lit. pôr, colocar a
cabeça de encontro ao chão). V. dojúbolẹ̀ (BENISTE, 2020, p. 523 e 279)
[30]
Taladé. É um termo
frequentemente utilizado na tradição de Ifá e em cantos de orixás
(especialmente em Cuba/Santeria) para se referir a Ọ̀rúnmìlà, o orixá da
sabedoria e adivinhação. Em muitas interpretações, “taladé” traduz-se
como “sábio” ou “aquele que coroa/tem a coroa”. <Ti> v. 1.
Ter (verbo aux.) Owó ti bó – O dinheiro tem pingado. Mo ti sùn díẹ̀ – Tenho dormido
pouco. + Adé, s. Coroa do rei. Oba dé adé – O rei colocou
a coroa. Usado como prefixo de nomes próprios, indica uma origem real. > Adékọ́là
– A coroa constrói a riqueza; Adéwọlé – a riqueza entrou em casa.
(BENISTE, 2020, p. 40 e 757)
[31]
Eleguá, nome derivado do iorubá Ẹlẹ́gbára,
uma das denominações de Èṣù (Echú; Exu), saiba-se que, no ambiente
lucumi, é um dos “caminhos” pelos quais o Mensageiro dos Orixás se manifesta e
impõe. Dizem os mais-velhos – repetimos – que, enquanto Echú abre caminho à
força, Eleguá o faz com suavidade e astúcia. (LOPES, 2020, p. 129) Ẹlẹ́gbára, Ẹlẹ́gbá,
s. Um dos títulos de Èṣù. (BENISTE, 2020, p. 238)
[32] Ògún, s.
Divindade do ferro e das batalhas. Ògún jẹ́ òrìṣà irin – Ogum é a
divindade dos metais. (BENISTE, 2020, p. 562).
[33] Idefá
-> Idẹ, s. 1. Pulseira, bracelete. 2. Metal, latão. Irin yìí yọdẹ -
Este metal está coberto de verdete. (BENISTE, 2020, p. 340) + Ifá,
s. Sistema de consulta divinatória que utiliza 16 coquinhos de palmeira, ọ̀pẹ
ifá. Pela sua importância, é visto como uma divindade. São consultados os
16 odús principais, ojú odù, e os 240 odús menores, ọmọ
ọdù, num total de 256. À medida que são revelados, algumas marcas são
riscadas numa bandeja, ọpọ́n, salpicada de um pó, Ìyẹ̀ròsùn, e
revelarão narrativas, ítàn, a serem interpretadas. Ifá (Fá) pode
ser usado como prefixo de palavra para formar nomes próprios: Fágbèmí –
Ifá me apoia; Fáṣínà – Ifá abre caminhos; Fáyọ̀mí – Ifá me dá
felicidade. V. Odù. (BENISTE, 2020, p. 343 e 344)
[34]
Ọ̀pẹ̀lẹ̀, s. Corrente
intercalada com oito sementes côncavas para a prática de consulta divinatória
de Ifá. (BENISTE, 2020, p. 622).
[35] ọpọ́n-ifá, s. Bandeja na qual são riscados os traços do odù.
(BENISTE, 2020, p. 622)
[36] Ẹbọ, s.
Oferenda ou sacrifício feito às divindades. Òrìṣà yìí gba ẹbọ mi – Esta divindade aceitou minha oferenda. V. Rúbọ.
(BENISTE, 2020, p. 225)
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Bora lá!!
Patrícia Pereira - Doutoranda em Educação/FACED/UFRGS
Porto Alegre, 01 de Maio de 2026