sexta-feira, 1 de maio de 2026

PNEERQ e a Cadeia Produtiva do Carnaval: Políticas Públicas em ERER.

 Então, de vez em quando eu apareço por aqui... kkkkkk

Desta vez, venho mostrar um trabalho que apresentei nesta última 4a feira, numa disciplina do Doutorado em Educação da UFRGS, que trata de Políticas Públicas em Educação. Minha temática era o PNEERQ - Plano Nacional de Educação Étnico-Racial e Educação Escolar Quilombola. Como não sei fazer uma coisa simples, direta, a pessoa resolveu usar a temática da Cadeia Produtiva do Carnaval para explicar os conceitos básicos da PNEERQ.

Mas não foi só isto! Eu abri a apresentação com o Samba-Enredo da GRES Paraíso do Tuiuti, ao som da maravilhosa voz do Pixulé. Para exemplificar e trazer o texto de forma mais lúdica, usei o Caderno Abre Alas, produzido anualmente pela LIESA - Liga Independente das Escolas de Samba do RJ, com as explicações/Sinopse do Tema. Fiz algumas alterações no texto, em especial na ortografia das palavras em yorubá, que tem um contexto bem específico e eu acredito que precisamos retomar esta escrita ancestral.

Eu não sei exatamente se os colegas entenderam, mas era pra ser um meio de instigar a curiosidade da turma. Pra fechar, botei uma mesa de doces, daqueles de Festa de Cosme e Damião mesmo... Com uma toalha de tecido cheio de Adinkras... Criando um clima étnico, envolvendo as pessoas energeticamente. Foi a minha pretensão!!

Bom, vou colocar o texto arrumado do Abre-Alas, as imagens e, se eu conseguir, os slides. Acho que é legal poder divulgar os trabalhos que misturam os conhecimentos acadêmicos com nossos conhecimentos de vivências comunitárias, como as Escolas de Samba, nossos Kilombos de guarda dde conhecimento afro-brasileiros.

G.R.E.S. Paraíso do Tuiuti 2026

Rio de Janeiro/RJ - LIESA

 






LONÃ IFÁ LUCUMÍ

Carnavalesco: Jack Vasconcelos

HISTÓRICO DO ENREDO

 

Sinopse do Enredo - LONÃ[1] IFÁ[2] LUCUMÍ[3]

 

Laroiê[4], Eleguá[5]! Agô.

No princípio era o axé... Quando Olodumare, o supremo criador da existência, do universo e dos orixás, soprou o Emi (energia vital) para que o primeiro ser humano moldado por Obatalá ganhasse vida com seu Orí divinizado, consciente e portador daquele destino, Orunmila estava presente e tudo assistiu. Todos os seres foram conectados energeticamente e os orixás, regentes das forças da natureza, passaram a comandar cada aspecto e expressão da vida humana.

Orunmila, o Èléri Ípìn, a testemunha da criação, portanto, recebeu de Olodumare a dádiva de ser seu porta-voz no oráculo de Ifá para guiar a humanidade pelo bom caminho e cada pessoa ao melhor cumprimento de seu destino na dimensão terrena, o Ayiê, através da comunicação espiritual com a dimensão sobrenatural das divindades, o Orún.

 

Epá Ojú Olorun! Ifá Ò! (Viva os olhos do Criador! Ele é Ifá!)

Na cidade sagrada de Ilé Ifé, fundada por Odudua e onde os primeiros humanos moldados por Obatalá iniciaram sua caminhada na Terra, Orunmila, o profeta dos destinos e guardião da sabedoria, transmitiu o conhecimento oracular do Ifá aos Babalaôs Iorubás.

Sentados sobre a esteira de palha, aprenderam a decifrar as mensagens de Orunmila contidas nos Odús que se desenham ao jogarem o cordão aberto (o princípio e o fim) trançado com oito metades de favas de Opelê sobre o tabuleiro de madeira Oponifá. Lònà Ifá (Caminho de Ifá) Assim, os Babalaôs Iorubás levaram o Ifá praticado na sagrada Ifé, e na cidade de Oyó, mundo antigo afora semeando a palavra de Orunmila.

Pelas rotas comerciais para além do Saara, de Kemet à Babilônia, os sacerdotes contaram as histórias e ensinamentos contidos nos Patakis, louvaram Orikis para as divindades e ofereceram os ebós pedidos nos Odús revelados nas caídas dos seus Opelês sobre os Oponifás.

Até que o caminho de Ifá cruzou o Atlântico, à força, acorrentado no destino dos Iorubás escravizados e traficados para a exploração do Novo Mundo. Olokun, divindade soberana dos mares e dos segredos da vida e da morte, transportou em suas águas a tradição religiosa africana até o mar caribenho para que a ancestralidade iorubana fosse recebida pela ancestralidade indígena dos Taínos naquela ilha que seus originários chamavam Cubanacan ou, simplesmente, Cuba.

 

Mo júbà! Oluku mi! (Vos saúdo! Somos amigos!)

Com a chegada dos Iorubás de Ifé e Oyó em terras cubanas para o trabalho nas fazendas de cana-deaçúcar e café, nasceu a nação Lucumí. Para o regime escravagista espanhol, lucumis eram todos os cativos iorubanos em geral, porém, os próprios escravizados se identificavam sinalizando suas origens, como: Lucumí-Oyó, Lucumí-Egba, Lucumí- Ekiti, Lucumí-Ijebu... 

Sob a irradiação aguerrida de Oggun, o primeiro rei de Ifé, os lucumis levantaram os metais de seus facões diversas vezes contra a tirania dos colonizadores. Na província de Matanzas, a escravizada iorubá Carlota Lucumí liderou a Insurreição do Engenho Triunvirato, que destruiu vários engenhos, eliminou colonos, incendiou fazendas e libertou centenas de escravizados.

 

Oggun Ye! Mo ye! (Ogum está vivo! Eu estou vivo!)

Matanzas, aliás, foi o berço do Ifá cubano e o pai foi o babalaô Remígio Herrera, o Adechina. Um ex-cativo de engenho açucareiro que, quando alforriado, foi para Nigéria ser consagrado em Oyó. Com a missão dada por Orunmila de fundar o primeiro Cabildo Lucumí na América hispânica, retornou a Cuba trazendo os fundamentos da Regla de Ifá e iniciou o primeiro babaláo em solo cubano: Tata Gaytán.

O Ifá cubano se expandiu e adquiriu caráter próprio. A língua Lucumí assimilou influência de falas indígenas e espanholas e "lucumizou" as expressões. Altas deidades e Orishas, maiores e menores, formaram o panteão divino. O Obí advinhação com cocos, rachados em quatro partes para que as combinações entre as faces claras (o interior) e escuras (a casca) respondam pelas divindades ao serem lançadas no chão, se tornou marca do Ifá cubano. Os filhos de Orula (Orunmila) iniciados passaram a ser identificados pelo uso do Ileké no pescoço ou do Idefá no pulso esquerdo para lembrar do pacto que Orula fez com a morte para que ela não leve os seus antes do tempo destinado. Ambos feitos de contas verdes e amarelas que representam a união da sabedoria de Orula (o verde do viço das folhas frescas) com a fertilidade de Oxum (o amarelo da decomposição das folhas) que nos lembram do inevitável ciclo da vida.

Para despistar a perseguição aos cultos de matriz africana, Iorubás identificaram seus Orixás com santos católicos e criaram a Santería, também conhecida como Regla de Ocha ou Regla Lucumí, onde o Ifá é o centro oracular divinatório. Se expandiu pela ilha após a Revolução Cubana e ficou ainda mais popular depois que o Estado mudou de ateu para laico com a extinção soviética. Hoje, a mão de Orula está presente na vida de grande parte do povo cubano e os tambores Batá ressoam consagrados em Ifá pelos cabildos de Havana.

 

Agô Ilé. (Peço licença para entrar)

Existe uma conexão espiritual entre Cuba e o Brasil, enraizada em nossa reverência aos Orixás e aos nossos ancestrais africanos, que nos enlaçam culturalmente e energeticamente há gerações. O destino quis que o Ifá Lucumí se ramificasse até aqui e se consolidasse no Rio de Janeiro através do Opelê e do Oponifá do Babalaô cubano de linhagem dos veneráveis Adeshina e Tata Gaytán, Rafael Zamora. Dessa bendita rama continua a florescer Babalaôs brasileiros, afilhados, famílias em Ifá e comunidades-terreiro dedicados ao culto de Orunmila.

Num momento tão difícil para a humanidade na Terra como este, com tantos conflitos e desequilíbrios, que Ifá nos guie no caminho para o bom caráter, respeito e a harmonia entre as pessoas e a natureza. Que Orunmila ordene o mundo nos caminhos do bem.

Iboru[6] Iboya[7] Ibosheshe[8]! (Que nossas súplicas sejam ouvidas!)


JUSTIFICATIVA

Receber o livro “Ifá Lucumí – o resgate da tradição”, de autoria do majestoso Nei Lopes, das mãos do (então futuro) diretor de carnaval da agremiação, Leandro Azevedo, me atingiu como um recebimento de uma missão. Uma grandiosa missão. Dessas que mudam a vida, as vidas. Senti imediatamente que não era uma simples sugestão para o desenvolvimento de um enredo. Ali estava chegando um recado a ser dado para a humanidade e que a ancestralidade Iorubá havia escolhido uma escola de samba como veículo para esta comunicação. Não era um acaso. Era um chamado de Orunmila. Prontamente aceito.

Dois mil e vinte e seis é visto pela espiritualidade como um ano de começos, renascimentos. Vivemos em uma era de mudanças intensas (estruturais, econômicas, sociais, climáticas) onde o mundo que “conhecíamos até agora” parece estar se fragmentando com tantos conflitos, potencializados pelo esgotamento do modelo capitalista e o estrangulamento do modelo neoliberal. A sociedade contemporânea, cada vez mais focada no materialismo, na produção e consumo excessivos, na performance, no sucesso a qualquer custo, sente a solidão e o isolamento social em ascensão apesar da hiperconectividade digital. Neste cenário, muitas pessoas se pegam em vazios existenciais, perdidas em dilemas, com discernimento corrompido. E a orientação espiritual de Ifá oferece uma bússola para navegar nesse mundo, onde a humanidade pode buscar orientação, direção e propósito, fortalecendo a conexão de cada indivíduo com sua essência e destino.

O Ifá é um sistema divinatório e filosofia de vida ancestral da tradição iorubá, originado na África Ocidental, que funciona como oráculo e porta-voz do orixá Orunmila (o próprio Ifá, Deus da sabedoria e destino) para guiar as pessoas ao autoconhecimento, equilíbrio e boa sorte, usando os Odu Ifá como base de conhecimento. Não é apenas uma religião, mas um conjunto de sabedorias transmitidas oralmente, focado em ética, destino e conexão com os ancestrais.

A filosofia de Orunmila-Ifá enfatiza a ética e a formação de um bom caráter, ensinando que o conhecimento é a chave para o equilíbrio e a prosperidade. Orunmila recebeu de Olodumare, o Deus supremo, o conhecimento e o segredo dos destinos humanos. Ele é o orixá que detém o conhecimento de tudo o que foi traçado antes do nascimento de cada pessoa e atua para guiar os seres humanos em direção ao seu desígnio e equilíbrio na Terra. Ele altera o dia da morte, organiza e ordena o mundo nos caminhos do bem, transitando entre o céu (Orun) e a terra (Aiyê). Ele é o orientador da humanidade, o senhor do destino e o guardião da sabedoria.

O enredo propõe uma jornada pelo “destino” do próprio “Oráculo do senhor dos destinos”, sua própria caminhada pela humanidade. Lonã (onã, lonan) em iorubá quer dizer caminho. Portanto, o título do enredo, “Lonã Ifá Lucumí” pode ser traduzido como “O caminho do Ifá Lucumí”. O termo Lucumí deriva da frase iorubá “Olùkù mi”, que significa “meu amigo”. Ele foi usado na era do comércio transatlântico de escravizados para se referir a pessoas de origem iorubá. Principalmente em Cuba, onde os “Lucumí” e seus descendentes preservaram grande parte de sua religião, língua e cultura. Lá, eles estabeleceram o culto de Orunmila-Ifá e moldaram o Ifá Lucumí.

De lá, o Ifá Lucumí “caminhou” para o Brasil e se estabeleceu de forma definitiva pelas mãos do Babalawo (Babalaô) cubano Rafael Zamora Díaz. Ele fundou vária Egbés (comunidades/casas de culto) no Rio de Janeiro e consagrou o primeiro Babalawo brasileiro em solo brasileiro. Atualmente, a religião afro-cubana tem adeptos em todo território nacional e é das que mais cresce.

Aliás, falando da “rama” descendentes/família) de Rafael Zamora no Brasil, fui orientado pelo Babalawo Alfredo Martins Júnior Awo Ojuani Shogbe e amavelmente acolhido pela sua casa, a Egbé Ifá Lonã, durante o processo de desenvolvimento e pesquisa desse enredo-jornada. Ao final, me lembro do início quando recebi o livro escrito pelo Babalawo Nei Lopes Awo Ogbe Otrupon, trazido pelo diretor de carnaval da escola, Leandro Azevedo Awofakan Ni Orunmila Ogbe Fun Funló.

A missão recebida de transformar o Ifá Lucumí em enredo era uma predestinação de 8 Orunmila, o senhor do destino, que só poderia ser realizada na escola de samba que afirma em um de seus sambas-enredo mais famosos que ela tem um destino a cumprir.

Que o Paraíso do Tuiuti cumpra seu destino guiado pela luz de Orunmila. Ashé!

Que nosso amor seja emanado em milhares de vozes daqui do Ayiê e chegue no Orun para tocar os Orixás. Ashé!

Que a mão de Ifá nos oriente em nossa caminhada. Ashé!

Iboru, Iboya, Ibosheshe!

 

Jack Vasconcelos

Awofakan Ojuani Shobi

Carnavalesco

 

 

SETORIZAÇÃO

 

1° Setor

O destino primordial do Ifá O primeiro setor inicia o enredo abordando a criação do destino primordial do Ifá, que é a missão de guiar os seres humanos para o melhor cumprimento de seus destinos. Essa orientação será feita através do Oráculo de Orunmila-Ifá e intermediada/interpretada/realizada pelos Babalawos, os “pais do segredo” que serão preparados para essa missão. Abordaremos a grande criação de Olodumare, o deus supremo, a importância de Orunmila como a testemunha dessa criação e o aparecimento do sistema Ifá para a comunicação entre o plano terreno e o espiritual, entre Orun (terra) e o Ayiê (céu), entre os homens e os Orixás… Orunmila, o senhor da sabedoria e dos destinos, o benfeitor principal da humanidade, entrega e ensina o Ifá na sagrada cidade de Ilé Ifé para os Babalawos repassarem o conhecimento ao resto da humanidade. Neste setor, usaremos os tons de branco e prata como predominância, pois é a cor dos Orixás primordiais, os FunFun (Branco), as primeiras divindades criadas por Orunmila, pois a a paz e sabedoria de Orula (Orunmila) está presente e irradiando de todo o setor.

 


2° Setor

O destino milenar do Ifá A cidade sagrada de Ilé Ifé, berço da cultura iorubá e centro espiritual do Ifá, prosperou e se tornou opulenta por estar localizada numa encruzilhada de rotas comerciais. Com isso, o Ifá teve uma irradiação de seu conhecimento que alcançou civilizações importantes historicamente impulsionado pelas rotas comerciais transaarianas, na medida em que a cidade de Ifé era um ponto de influência e até mesmo um potencial terminal dessas redes de comércio. Neste setor é abordado o lonã (destino) do Ifá para além dos domínios de sua cidade natal, Ifé, até chegar em outros povos da antiguidade. O objeto que representa a presença do Ifá nessas passagens é o Oponifá, o tabuleiro redondo que é um instrumento fundamental na prática oracular. O Oponifá é propositalmente presente em todo o setor, como um leitmotiv visual, para sinalizar o caminho percorrido e a presença do Ifá nas civilizações citadas no Ifá. Também os dourados, cobres e pedrarias são usados para lembrar os metais preciosos e as riquezas comercializadas (que proporcionaram o Ifá a chegar nestas civilizações através das rotas de comércio), além de serem signos de poder e importância dessas civilizações no mundo antigo.

 

3° Setor

O destino transatlântico do Ifá A principal forma de disseminação do Ifá ocorreu através da diáspora africana e do tráfico de pessoas escravizadas para as Américas, onde a religião se adaptou e se integrou a novas culturas, como em Cuba. O que permitiu que a cultura e a religião iorubá sobrevivessem no novo mundo, incluindo, notavelmente, nas colônias espanholas no Caribe. Neste setor abordaremos essa travessia com olhar poético pelo reino marinho do orixá Olokun, o senhor iorubá dos mares, até desembarcar no continente americano como num encontro de ancestralidades: a africana com a caribenha. Tons de azul e prata fazem referência ao senhorio aquático de Olokun, os dourados com tons de vermelho e amarelo simbolizam o domínio da coroa espanhola na ilha cubana, e os tons de cores mais vivas refletem a vibração solar da natureza tropical.

 

4° Setor

O destino Lucumí do Ifá Para a colonização, ainda no início do século XVI chegou o primeiro “carregamento” de cativos africanos na ilha para a exploração colonial nas rudimentares fazendas produtoras de cana-deaçúcar. Posteriormente, com o avançar dos anos, a exploração da força de trabalho escravizada aumentou para alimentar outras formas de produção. O termo Lucumí (ou Lukumí) deriva da expressão Iorubá “oluku mi”, que significa “meu amigo”. Como os próprios escravizados iorubanos se cumprimentavam dessa forma, pois era uma espécie de termo de identidade que os identificava entre eles em suas origens (laços culturais, religiosos e linguísticos), os espanhóis passaram a nomeá-los de Lucumís e o Lucumí se transformou em um símbolo de resistência e preservação cultural. Neste setor, abordaremos a “plantação e o florescer” da presença dos Iorubás Lucumís na terra cubana. Ele é dedicado à importância da atuação da população Lucumí na historia colonial de Cuba, pois sem eles não existiria o Ifá cubano como conhecemos hoje. Os tons de verde predominam e costuram visualmente o conjunto do setor. Não apenas para aludir à agroexploração, mas também é a cor atribuída ao orixá Oggun (Ogum) na tradição Lucumí. Como se Oggun estivesse sempre presente em cada um dos assuntos abordados nas alas e no tripé que finaliza esta passagem, pois ele é o orixá guerreiro essencial na evolução humana, criador das ferramentas e abridor dos caminhos para que a sabedoria de Ifá possa ser semeada, cultivada e se manifestar. No solo cubano

 

5° Setor

O destino cubano do Ifá O conhecimento complexo do Ifá foi preservado, transmitido oralmente e o culto de Ifá se enraizou. Neste capítulo do enredo trataremos a ramificação do Ifá em Cuba. Homenagearemos fundadores e abordaremos algumas características e tradições próprias do chamado Ifá Lucumí até seu desdobramento no culto conhecido como Santeria, ou apenas Lucumí, que também utiliza o oráculo de Orunmila e os orixás Iorubás, mas com viés sincrético católico devido à herança colonial nos antigos cabildos.  Em relação as cores, nota-se a presença da combinação verde-amarela na construção visual do setor devido sua importância espiritual no culto e também ser simbolo do Ifá cubano (já que o Ifá nigeriano usa a combinação verde-marrom como simbolo). O verde e o amarelo no Ifá cubano representam o equilíbrio entre a vida (verde) e a morte (amarelo). São cores fundamentais na proteção espiritual e na identificação dos iniciados no uso em colares (Elekes) e pulseiras (Idé Ifá). Elekes e Idefás, aliás, aparecerão por todo o setor para marcar de forma irrefutável de que se trata do Ifá Cubano, o Ifá Lucumí. Especificamente, este setor se encerrará com duas alas que complementam o assunto sobre o desdobramento do Ifá Lucumí na Santeria e que é tratado na parte posterior da quarta alegoria. 

 

6° Setor


O destino brasileiro do Ifá A rama do Caribe se expandiu e estava no destino (lonã) do Ifá Lucumí chegar ao Brasil, de forma efetiva, pelas mãos de um Babalawo cubano: Rafael Zamora Diaz, afilhado da linhagem (rama) do venerável Babalawo Adesinha. Neste setor final concluiremos o enredo com a vinda do oráculo de Orula e seu estabelecimento como um cumprimento de seu próprio destino, fazendo do Brasil uma grande Egbé (comunidade) de onde a palavra de Orunmila se irradiará para toda a Humanidade. Nota-se aqui que a dupla cromática verde-amarelo também se faz presente para representar não apenas o Ifá cubano, mas também o Brasil em uma simbólica união espiritual.

 

PESQUISA

 Autores do Enredo: Jack Vasconcelos e Leandro Azevedo

Referências:

ALCARAZ, José Luís. Santería cubana, rituales y magia. Madri: Tikal Ediciones, 2013.

ARAÚJO, Leonor Franco de. Sistema filosófico de Ifá. Salvador: Tese (Doutorado em Difusão do Conhecimento) – Programa de Pós-Graduação Multi-institucional em Difusão do Conhecimento, 2023.

LOPES, Nei. Ifá Lucumí : o resgate da tradição. Rio de Janeiro: Pallas, 2020.

LOPES, Nei; SIMAS, Luiz Antonio. Filosofias Africanas: uma introdução. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2023.

LÓPEZ VALDÉS, Rafael L. Africanos de Cuba. San Juan, Porto Rico: Centro de Estudos Avançados de Porto Rico e Caribe, 2002. MINTZ Sidney W.; PREÇO, Richard. O nascimento da cultura afro-americana: uma perspectiva antropológica. Rio de Janeiro: Pallas e Universidade Candido Mendes, 2003.

PORTUGAL FILHO, Fernandes. Ifá, o senhor do destino: Olórun Ayanmo. São Paulo: Madras, 2010.

SILVA Sebastião Fernando da. A Filosofia de Òrúnmìlà-Ifá e a formação do Bom Caráter. Goiânia: Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) – Escola de Formação de Professores e Humanidades, Pontifícia Universidade Católica de Goiás, 2015.

 


 

Letra do Samba de 2026:

 

Ibarabò[9]

Àgò[10] Lọ́nà[11], olukumi[12]

(Gbàrà Àbọ̀
 Àgò L
ọ́nà, oluku mi)

Iboru[13], Iboya[14], Ibosheshe[15]
Canta, Tuiuti
(Gbọ́rọ̀,
Gbóyà, Gbọ́ Ṣeéṣe)
Canta, Tuiuti

 

Meu padrinho me falou
Cada um tem seu orí[16]
O destino é professor
A raiz é oluku mi

Ifá[17], retira dessa flor os seus espinhos
Revela meu odù[18] e seus caminhos
Com os ikins[19] de
Ọ̀rúnmìlà[20]
Me dê seu iré[21] para a vida
Olódùmarè[22], Criador
Espalhou àṣẹ[23] e amor
No ilé[24] dos òrìṣàs[25]

E o negro, iniciado no segredo
Do reino de Olókun[26], fez sua trilha
Rompendo os grilhões de morte e medo
Foi o primeiro Bàbáláwo[27] da ilha

Bàbá[28] mo foríbalẹ̀[29]
Bàbá mo foríbalẹ̀

Ọ̀rúnmìlà taladé[30]
Bàbá mo foríbalẹ̀

Eleguá[31]
É o dono do poder
Moenda não pode mais moer

Põe fogo na cana

Eleguá

Tem mandinga e dendê

Hoje o coro vai comer

Nas barbas de Havana

 

Ah, o ânimo de ser do baticum

Com a lâmina sagrada de Ògún[32]

E a sina de quem ama o idefá[33]

Ah, a rama do Caribe se expandiu

No verde e amarelo do Brasil

Nas cordas do ọ̀pẹ̀lẹ̀[34] e no ọpọ́n-ifá[35]

 

Derruba os muros quem sabe asfaltar

Caminhos abertos na mão de Ifá

Que o mundo entenda: O ẹbọ[36] vence a dor

Sentado à esteira de um Bàbáláwo



[1] Lọ́nà – substantivo. Caminho, forma, maneira. Lọ́nà náà tì yíò fi tètè yé mi – A forma que usará me esclarecerá rapidamente. BENISTE, José. Dicionário Yorubá – Português. Editora Melhoramentos, 2021, p. 511.

[2] Ifá - Sistema de consulta divinatória que utiliza 16 coquinhos de palmeira, ọ̀pẹ ifá. Pela sua importância, é visto como uma divindade. São consultados os 16 odus principais, ojú ọdú, e os 240 odus menores, ọmọ ọdú, num total de 256. À medida que são revelados, algumas marcas são riscadas numa bandeja, ọpọ́n, salpicada de um pó, ìyẹ̀ròsùn, e revelarão narrativas, ìtàn, a serem interpretadas. Ifá (Fá) pode ser usado como prefixo de palavra para formar nomes próprios: Fágbèmí  Ifá me apoia; Fásínà – Ifá abre os caminhos; Fáyọ̀mí – Ifá me dá felicidade. BENISTE, 2021, p. 343-344.

[3] Lucumi - O termo Lucumí (ou Lukumí) deriva da expressão Iorubá “oluku mi”, que significa “meu amigo”. Como os próprios escravizados iorubanos se cumprimentavam dessa forma, pois era uma espécie de termo de identidade que os identificava entre eles em suas origens (laços culturais, religiosos e linguísticos), os espanhóis passaram a nomeá-los de Lucumís e o Lucumí se transformou em um símbolo de resistência e preservação cultural. (LOPES, 2020)

 

[4] Láròyé – s. Debate, discussão, controvérsia. BENISTE, 2021, p.495

[5] Sobre Eleguá, nome derivado do iorubá Ẹlẹ́gbára, uma das denominações de Èṣù (Echú; Exu), saiba-se

[6]Iboru → Gbọ́rọ̀ , v. Ouvir as palavras, ouvir as pessoas, as novidades. Ó gbọ́rọ̀ mi – Ele compreendeu o que eu disse. <gbọ́ + ọ̀rọ́>.

[7]Iboya → Gbóyà, v. Ser corajoso, ser bravo. = gbójú. Adj. Valente, corajoso, valoroso. <gbò + àyà>.

[8]Ibosheshe → Gbọ́, v. 1. Ouvir, escutar. Ẹ gbọ́ kedere – Ouça claramente: Mo gbọ́ ọ̀rọ̀ r – Eu ouvi suas palavras. 2. Atender, dar atenção a. Ó gbọ́ aya rẹ̀ - Ele deu atenção à esposa dele. 3. Prepaprar, aprontar. Ó gbọ́ onj – Ela preparou comida. V. wá. Ṣeéṣe, v. Ser possível, ser provável. Èyí ha ṣeéṣe ni tòótọ́ bí? Isso é realmente possível?

[9] Ibarabò – uma das qualidades de Esù, um dos caminhos ou egbés. Representa uma das formas como erra divindade se manifesta, muitas vezes ligado à ancestralidade e à sabedoria. É a constrição de palavras, para um sentido maior. Gbàrà. Adv. Assim que, agora, imediatamente. Bí ó bá ti jí gbàrà lọ sọ́dọ̀ rẹ̀ – Assim que ele acordar, vá imediatamente para junto dele. Àbọ̀, s. Retorno, chegada, volta. Ẹ kú àbọ̀ – Seja bem-vindo. V. . (BENISTE, 2020, p. 34 e 304). Sentido: Aquele que faz o retorno rapidamente, o Orixá que dá a volta imediatamente.

[10] Àgò – substantivo. Forma de pedir licença. Àgò onílé o – Com licença ao dono da casa. Resposta: Àgò yà – Entre, por favor (lit. licença para encaminhar!) V. yàgò. (BENISTE, 2021, p. 51)

[11] Lọ́nà – substantivo. Caminho, forma, maneira. Lọ́nà náà tí yíò fi tètè yé mi – A forma que usará me esclarecerá rapidamente. (Idem, p. 511)

[12] O termo Lucumí (ou Lukumí) deriva da expressão Iorubá “oluku mi”, que significa “meu amigo”. Como os próprios escravizados iorubanos se cumprimentavam dessa forma, pois era uma espécie de termo de identidade que os identificava entre eles em suas origens (laços culturais, religiosos e linguísticos), os espanhóis passaram a nomeá-los de Lucumís e o Lucumí se transformou em um símbolo de resistência e preservação cultural. (LOPES, 2020)

[13] IboruGbọ́rọ̀ , v. Ouvir as palavras, ouvir as pessoas, as novidades. Ó gbọ́rọ̀ mi – Ele compreendeu o que eu disse. <gbọ́ + ọ̀rọ́>.

[14] IboyaGbóyà, v. Ser corajoso, ser bravo. = gbójú. Adj. Valente, corajoso, valoroso. <gbò + àyà>.

[15] IboshesheGbọ́, v. 1. Ouvir, escutar. Ẹ gbọ́ kedere – Ouça claramente: Mo gbọ́ ọ̀rọ̀ r – Eu ouvi suas palavras. 2. Atender, dar atenção a. Ó gbọ́ aya rẹ̀ - Ele deu atenção à esposa dele. 3. Prepaprar, aprontar. Ó gbọ́ onj – Ela preparou comida. V. wá. Ṣeéṣe, v. Ser possível, ser provável. Èyí ha ṣeéṣe ni tòótọ́ bí? Isso é realmente possível?

[16] Orí. S. Cabeça. Orí nfọ̀ mi – Estou com dor de cabeça; Ẹ kú orí re o! – saudação a uma pessoa que tem uma boa cabeça, que tem sorte. Pode ser usado para definir coisas altas ou destacadas: orí igi – alto da árvore; orí ika – ponta do dedo; orí ìwé – capítulo de um livro; orí òkè – alto da montanha; olórí ogun – comandante de uma batalha. Forma preposição: + orí = lóri – sobre, em cima de; + orí = para cima; Ológbò lọ sórí àga – O gato foi para cima da cadeira. (BENISTE, 2020, p. 591)

[17] Ifá - Sistema de consulta divinatória que utiliza 16 coquinhos de palmeira, ọ̀pẹ ifá. Pela sua importância, é visto como uma divindade. São consultados os 16 odùs principais, ojú ọdú, e os 240 odus menores, ọmọ ọdú, num total de 256. À medida que são revelados, algumas marcas são riscadas numa bandeja, ọpọ́n, salpicada de um pó, ìyẹ̀ròsùn, e revelarão narrativas, ìtàn, a serem interpretadas. Ifá (Fá) pode ser usado como prefixo de palavra para formar nomes próprios: Fágbèmí  Ifá me apoia; Fásínà – Ifá abre os caminhos; Fáyọ̀mí – Ifá me dá felicidade. BENISTE, 2021, p. 343-344.

[18] Odù, s. Conjunto de signos do sistema de Ifá que revela histórias em forma de poemas, que servem de instruções diante de uma consulta. Os 16 principais (são 256) são os seguintes: 1 – Èjì Ogbè; 2 – Ọ̀yẹ̀kú Méjí; 3 – Ìwòrì Méjì; 4 – Òdí Méjì; 5 – Ìròsùn Méjì; 6 - Ọ̀wọ́nrín Méjì; 7 – Ọ̀bàrà Méjì; 8 – Ọ̀kànràn Méjì; 9 – Ògúndá Méjì; 10 – Ọ̀sá Méjì; 11 – Ìká Méjì; 12 – Òtúrúpọ̀n Méjì; 13 – Òtùwá Méjì; 14 - Ìrẹtẹ̀ Méjì; 15 – Ọ̀sẹ́ Méjì; 16 – Òfún Méjì.

[19] Ikin, s. Coquinho do dendezeiro. Na prática religiosa, eles simbolizam a personalidade de Ọ̀rúnmìlà, sendo utilizados os que possuem quatro orifícios ralos, conhecidos como olhos e jogados em número de 16, em oito jogadas sucessivas que objetivam encontrar oito sinais – odù. V. ọ̀pẹ̀lẹ̀. (BENISTE, 2020, p. 367)

[20] Ọ̀rúnmìlà, s. Divindade cujo culto está ligado às diferentes formas de consulta divinatória. É também conhecida por Ifá, que, na realidade, é a denominação do sistema de consulta. Representa os princípios do conhecimento e da sabedoria, por conhecer o segredo do destino das pessoas e assim poder orientá-las. Sua saudação: Ọ̀rúnmìlà Bàbá Ifá Ọ̀rúnmìlà é o senhor de Ifá. (BENISTE, 2020, p. 625)

[21] Iré, Eré, Até, s. Jogo. > ṣiré – brincar. (BENISTE, 2020, p. 388)

[22] Olódùmarè, s. Deus, o Onipotente. = Èdùmàrè, Ọlọ́run. (Beniste, 2020, p. 574)

[23] Àṣẹ, s. 1. Força, poder, o elemento que estrutura uma sociedade, lei, ordem. Ó fi àṣẹ fún mi – Ele me deu autoridade; Mo gba àṣẹ lọ́wọ́ rẹ̀ – Eu recebi uma ordem oficial dele. 2. Palavra usada para definir o respeito ao poder de Deus, pela crença de que é Ele que tudo permite e dá a devida aprovação. Àṣẹ dọwọ́ Olódùmarè – Que assim seja! (lit. O poder está nas mãos de Deus). (BENISTE, 2020, p. 128)

[24] Ilé, s. Casa. Òun ti lọ sílé – Ela foi para casa. Também usado na formação de palavras. V. adodo. (BENISTE, 2020, p. 372)

[25] Òrìṣà, s. Divindades representadas pelas energias da natureza, forças que alimentam a vida na terra, agindo de forma intermediária entre Deus e as pessoas, de quem recebem uma forma de culto e oferendas. Possuem diversos nomes de acordo com a sua natureza. Mo ti gbogbo òrìṣà búra – Eu juro por todas as divindades; Ẹ̀sìn òrìṣà n imo nbọ - É a religião dos orixás que eu cultuo; Òrìṣà mi ni Ọ̀ṣun – Minha divindade de devoção é Oxum. = òòṣà. (BENISTE, 2020, p. 592)

[26] Olókun, s. Divindade feminina dos mares e oceanos. (BENISTE, 2020, p. 575)

[27] Bàbáláwo, s. Sacerdote de Ifá (lit. aquele que conhece os mistérios ocultos, os mistérios transcendentais). <bàbá + ní + awo = bàbáláwo. (BENISTE, 2020, p. 148).

[28] Bàbá, Baba, s. Pai, Mestre. Bàbá mi bí ọmọ mẹ́rin – Meu pai deu nascimento a quatro filhos; bàbá ìsàmi – padrinho. (BENISTE, 2020, p. 148).

[29] mo foríbalẹ̀ -> mo, pron.pess. Eu. Forma enfática usada nos tempos presentes, pretérito perfeito e gerúndio dos verbos. Mor í ẹ - Eu vi você; Ìyẹn n imo tà – É aquela que eu vendi. Antes da partícula verbal n, toma um tom baixo (acento grave). Mò nlọ jáde – Eu estou indo embora. Não é usado em frases negativas, sendo substituído pelas outras formas de pronome, como ng, n, mi ou èmi. -> Foríbalẹ̀, v. Bater a cabeça em sinal de reverência, prostar-se, saudar. Ò foríbalẹ̀ níwájú òrìṣà – Ele prestou reverência diante da divindade. <fí + orí + bà + ilè> (lit. pôr, colocar a cabeça de encontro ao chão). V. dojúbolẹ̀ (BENISTE, 2020, p. 523 e 279)

[30] Taladé. É um termo frequentemente utilizado na tradição de Ifá e em cantos de orixás (especialmente em Cuba/Santeria) para se referir a Ọ̀rúnmìlà, o orixá da sabedoria e adivinhação. Em muitas interpretações, “taladé” traduz-se como “sábio” ou “aquele que coroa/tem a coroa”. <Ti> v. 1. Ter (verbo aux.) Owó ti bó – O dinheiro tem pingado. Mo ti sùn díẹ̀ – Tenho dormido pouco. + Adé, s. Coroa do rei. Oba dé adé – O rei colocou a coroa. Usado como prefixo de nomes próprios, indica uma origem real. > Adékọ́là – A coroa constrói a riqueza; Adéwọlé – a riqueza entrou em casa. (BENISTE, 2020, p. 40 e 757)

[31] Eleguá, nome derivado do iorubá Ẹlẹ́gbára, uma das denominações de Èṣù (Echú; Exu), saiba-se que, no ambiente lucumi, é um dos “caminhos” pelos quais o Mensageiro dos Orixás se manifesta e impõe. Dizem os mais-velhos – repetimos – que, enquanto Echú abre caminho à força, Eleguá o faz com suavidade e astúcia. (LOPES, 2020, p. 129) Ẹlẹ́gbára, Ẹlẹ́gbá, s. Um dos títulos de Èṣù. (BENISTE, 2020, p. 238)

[32] Ògún, s. Divindade do ferro e das batalhas. Ògún jẹ́ òrìṣà irin – Ogum é a divindade dos metais. (BENISTE, 2020, p. 562).

[33] Idefá -> Idẹ, s. 1. Pulseira, bracelete. 2. Metal, latão. Irin yìí yọdẹ - Este metal está coberto de verdete. (BENISTE, 2020, p. 340) + Ifá, s. Sistema de consulta divinatória que utiliza 16 coquinhos de palmeira, ọ̀pẹ ifá. Pela sua importância, é visto como uma divindade. São consultados os 16 odús principais, ojú odù, e os 240 odús menores, ọmọ ọdù, num total de 256. À medida que são revelados, algumas marcas são riscadas numa bandeja, ọpọ́n, salpicada de um pó, Ìyẹ̀ròsùn, e revelarão narrativas, ítàn, a serem interpretadas. Ifá (Fá) pode ser usado como prefixo de palavra para formar nomes próprios: Fágbèmí – Ifá me apoia; Fáṣínà – Ifá abre caminhos; Fáyọ̀mí – Ifá me dá felicidade. V. Odù. (BENISTE, 2020, p. 343 e 344)

[34] Ọ̀pẹ̀lẹ̀, s. Corrente intercalada com oito sementes côncavas para a prática de consulta divinatória de Ifá. (BENISTE, 2020, p. 622).

[35] ọpọ́n-ifá, s. Bandeja na qual são riscados os traços do odù. (BENISTE, 2020, p. 622)

[36] Ẹbọ, s. Oferenda ou sacrifício feito às divindades. Òrìṣà yìí gba ẹbọ mi – Esta divindade aceitou minha oferenda. V. Rúbọ. (BENISTE, 2020, p. 225)







































































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Patrícia Pereira - Doutoranda em Educação/FACED/UFRGS

Porto Alegre, 01 de Maio de 2026

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